
A Justiça do Rio decretou, na tarde desta segunda-feira, a prisão das três mulheres que doparam e roubaram turistas americanos na Zona Sul do Rio, no dia 28 de julho deste ano, por roubo majorado, furto qualificado e majorado e associação criminosa. Amanda Couto Deloca, de 23 anos, foi detida em casa, em Nova Campinas, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, pela Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) em conjunto com a 62ª DP (Imbariê). Além dela, a polícia busca prender Raiane Campos de Oliveira, de 27 anos, e Mayara Ketelyn Américo da Silva, de 26, que passaram a ser foragidas.
As três aplicaram o golpe conhecido como "Boa Noite, Cinderela" contra dois turistas britânicos na praia de Copacabana, na Zona Sul. Segundo a investigação, as vítimas conheceram as mulheres na Lapa, no Centro do Rio, e, após serem dopadas, tiveram os celulares roubados, resultando em um prejuízo de R$ 116 mil.
De acordo com a 62ª DP (Imbariê), Amanda tentava fugir para a casa de um parente fora do estado antes de ser capturada em Duque de Caxias. A suspeita já tinha uma passagem pelo mesmo tipo de crime, em 2023, agora, foi encaminhada para a Deat, na Cidade da Polícia.
— A polícia busca localizar as outras duas neste momento, mas as três devem responder por furto qualificado e majorado, roubo majorado e, também, associação criminosa — contou a delegada Carla Mariana Mero Ferrão, da 62ª DP.
Raiane e Mayara também tinham antecedentes por golpes semelhantes. Raiane, conhecida da polícia, acumula 24 passagens, incluindo associação criminosa, ameaça e roubo. No ano passado, ela chegou a ser condenada a seis anos de prisão em regime semiaberto por aplicar um golpe idêntico na Pedra do Sal, quando dopou e roubou um turista estrangeiro, mas cumpriu apenas seis meses e foi liberada em 3 de julho deste ano.
Decisão da Justiça
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_1f551ea7087a47f39ead75f64041559a/internal_photos/bs/2025/e/4/nJm501SNWf6ykh3tSt9Q/arte-39-.png)
Em decisão, o juiz Carlos Eduardo Carvalho de Figueiredo, da 19ª Vara Criminal da Comarca da Capital, recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) e decretou a prisão de Amanda Couto Deloca, Mayara Ketelyn Américo da Silva e Raiane Campos de Oliveira.
Segundo o magistrado, a denúncia preenche os requisitos legais e está amparada por provas consistentes, como depoimentos das vítimas e testemunhas, termos de reconhecimento, além de vídeos que mostram as acusadas embarcando em um táxi logo após o crime.
O juiz ressaltou que o crime foi cometido por mais de uma pessoa agindo em conjunto e com violência imprópria, ou seja, o uso de substâncias que diminuíram a capacidade de resistência das vítimas. Segundo o despacho, essas circunstâncias colocam a ordem pública em risco e demonstram a periculosidade das acusadas. A prisão preventiva, de acordo com a decisão, é necessária para evitar que elas cometam novos crimes.
Entenda os crimes:
- Furto qualificado e majorado: ocorre quando alguém subtrai bens de outra pessoa utilizando circunstâncias que aumentam a gravidade do crime, como fraude, abuso de confiança ou dificultando a defesa da vítima. No caso, dopar as vítimas para roubar seus celulares e outros pertences se enquadra nesse tipo de qualificação.
- Roubo majorado: é o roubo cometido com agravantes, como concurso de pessoas, emprego de violência ou ameaça. No episódio em Ipanema, o uso de drogas para reduzir a resistência das vítimas e a ação conjunta das três acusadas caracterizam o roubo majorado.
- Associação criminosa: consiste na participação de três ou mais pessoas em um grupo organizado para cometer crimes de forma contínua. A Polícia Civil aponta que as acusadas agiram em conjunto com objetivo de praticar golpes contra turistas, enquadrando-se nessa tipificação.
A decisão também marcou para o dia 9 de setembro deste ano a audiência de instrução e julgamento, etapa em que o juiz vai ouvir as vítimas, as testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa, além das próprias acusadas.
A denúncia do MP-RJ contra as três também se apoiou no testemunho de Kauan Almeida, de 19 anos, entregador de mercado. Ele relatou ter visto um homem cambaleando e quase caindo na areia da praia de Ipanema, em frente ao Boteco Belmonte. Ao se aproximar, ouviu de um ambulante que o rapaz havia acabado de ser vítima do golpe conhecido como “Boa Noite, Cinderela”, em que a vítima é dopada antes de ser roubada.
Sem hesitar, o entregador ligou para a emergência, registrou a cena em vídeo e avisou que acionaria a ambulância. Após confirmar o atendimento, ele voltou ao trabalho.
Turista dopado em Copacabana
Imagens que circularam nas redes sociais mostram o momento em que um dos turistas cai desacordado na praia de Ipanema, Zona Sul do Rio. Ele desembarca de um táxi e anda cambaleando pelo calçadão até cair na areia. Em seguida, uma testemunha conseguiu gravar as três mulheres suspeitas pelo golpe fugindo de táxi do local.


