Após ser libertado, dono da Ultrafarma escapa de pagar fiança de R$ 25 milhões

Empresário Sidney Oliveira, da Ultrafarma, é investigado por esquema de manipulação de créditos fiscais que levantou suspeitas em decretos do governo Tarcísio Gomes de Freitas.

Sidney Oliveira, proprietário da rede Ultrafarma, conseguiu uma vitória judicial nesta sexta-feira (22), quando o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) concedeu habeas corpus e decidiu suspender a exigência de pagamento de fiança no valor de R$ 25 milhões. O empresário havia sido condenado a pagar essa quantia como uma das condições impostas para sua liberdade, após ser preso na semana anterior.

A fiança foi estabelecida após a saída de Oliveira da prisão, mas o Ministério Público de São Paulo (MPSP) entrou com um pedido de prisão na quinta-feira (21), alegando que o empresário não havia cumprido a obrigação.

Entre as outras medidas cautelares, Oliveira também foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica, entregar seu passaporte e comparecer mensalmente ao tribunal. Ele também foi proibido de frequentar a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, salvo quando convocado.

 
A defesa de Oliveira argumenta que o empresário não possuía os recursos necessários para pagar a fiança, além de alegar que a medida havia confundido os bens pessoais com os empresariais. O TJSP acolheu os argumentos e decidiu suspender a exigência do pagamento. A defesa do empresário confirmou a decisão judicial. 

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Investigações de fraude fiscal 

O caso de Sidney Oliveira está ligado a um esquema de manipulação de créditos fiscais investigado pelo MPSP.

Artur Gomes da Silva, ex-auditor fiscal da Receita Federal, é apontado como intermediário, recebendo propina para antecipar créditos de ICMS-ST em benefício de empresas como Ultrafarma e Fast Shop. De acordo com as investigações, a empresa ligada ao fiscal, Smart Tax, teve um crescimento patrimonial impressionante, saltando de R$ 411 mil para R$ 2 bilhões entre 2023 e 2025.

Além disso, os créditos obtidos ilegalmente foram vendidos a outras empresas, como a Rede Nos, dona das lojas Oxxo e Kalunga. O Ministério Público apura se essas empresas estavam cientes da origem dos créditos. O caso levou à prisão temporária dos diretores das empresas envolvidas, que foram liberados três dias depois.

O esquema levantou questionamentos também sobre mudanças em decretos estaduais. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) revogou um decreto de 2023 que facilitava o ressarcimento de ICMS, o que, segundo alguns especialistas, pode ter contribuído para a manipulação fiscal.