
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou nesta quinta-feira (28) a megaoperação de diversos órgãos brasileiros contra o crime organizado. A ação, formada por três operações distintas, investiga esquema no setor de combustíveis.
Segundo o petista, trata-se da “maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado de nossa história até aqui”. As operações envolveram equipes da Polícia Federal, Polícia Militar e Promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), além de agentes e fiscais das Receitas estadual e Federal.
Entenda operações
As operações, que se concentram em diferentes etapas da cadeia produtiva dos combustíveis, visam apurar supostos crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, além da suposta ação da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em postos, refinarias e distribuidoras.
As operações são:
- Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo
- Operação Quasar, da Polícia Federal
- Operação Tank, da Receita Federal e Polícia Federal
Ao todo, há 350 alvos de mandados de busca e apreensão, entre pessoas físicas e jurídicas.
Setor de combustível
Em maio, o R7 publicou reportagem que mostrava que o setor de combustível tinha pelo menos 941 postos de gasolina sob algum domínio de facções criminosas. De acordo com dados obtidos pela reportagem na época, São Paulo era o estado mais crítico, com 290 postos influenciados ou dirigidos pelo crime organizado; a unidade federativa é seguida por Goiás (163), Rio de Janeiro (146) e Bahia (103) (veja dados abaixo).

Os dados eram de levantamento feito pelo setor e compartilhado com a reportagem. Para mapear os postos, a pesquisa considerou diversos fatores, como relação de agentes com participações societárias, uso de laranjas e relações entre postos e redes. Hoje, o Brasil tem cerca de 42 mil postos de combustível.
A análise revela que os dirigentes e responsáveis por esses postos de gasolina estariam envolvidos em lavagem de dinheiro e envolvimento em operações policiais, além de muitos terem histórico prisional.
Operação Carbono Oculto
O MPSP (Ministério Público de São Paulo) afirmou que mais de R$ 7,6 bilhões foram sonegados. Segundo as investigações, mais de mil postos ligados aos investigados movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
Segundo os investigadores, diversas irregularidades foram descobertas em diferentes etapas da cadeia de combustíveis, desde a produção até a distribuição, lesando não só motoristas, mas todo o setor.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional também ingressou com ações judiciais cíveis de bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens dos envolvidos, incluindo imóveis e veículos, para a garantia do crédito tributário.
Um “sofisticado esquema” criado pela facção, possibilitava a lavagem do dinheiro e a obtenção de altos lucros nesta cadeia econômica.
“O uso de centenas de empresas operacionais na fraude permitia dissimular os recursos de origem criminosa. A sonegação fiscal e a adulteração de produtos aumentavam os lucros e prejudicavam os consumidores e a sociedade”, disse a Receita Federal.
Elas criam modelos de negócio digitais, desburocratizando o acesso a serviços como pagamentos, crédito, seguros e investimentos, com custos geralmente menores.
Lavagem de dinheiro
As formuladoras, as distribuidoras e os postos de combustíveis também eram usados para lavar dinheiro de origem ilícita. Há indícios de que as lojas de conveniência e as administradoras desses postos, além de padarias, também participavam do esquema.
Auditores-fiscais da Receita Federal identificaram irregularidades em mais de 1.000 postos de combustíveis distribuídos em 10 estados. São eles:
- São Paulo
- Bahia
- Goiás
- Paraná
- Rio Grande do Sul
- Minas Gerais
- Maranhão
- Piauí
- Rio de Janeiro
- Tocantins
A maioria desses postos tinha o papel de receber dinheiro em espécie ou via maquininhas de cartão e transitar recursos do crime para a organização criminosa por meio de suas contas bancárias no esquema de lavagem de dinheiro.
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