
A China reservou ao menos 10 navios de soja da Argentina, cada um com cerca de 65 mil toneladas, para embarque em novembro, logo após Buenos Aires suspender temporariamente o imposto de 26% sobre exportações do complexo de grãos.
Os negócios foram fechados com prêmio sobre o contrato novembro da CBOT, movimento que desloca compras que historicamente ocorreriam nos Estados Unidos neste período da safra.
Dois dias depois, com o teto alcançado, o governo reaplicou as alíquotas para grãos e derivados.
O que mudou com a decisão argentina
A suspensão das retenciones reduziu a zero, por poucos dias, os tributos sobre soja, milho, trigo e seus derivados, além de biodiesel, com o objetivo explícito de acelerar a entrada de dólares e aliviar a pressão sobre o peso.
No mesmo pacote, o governo também anunciou isenção para carne bovina e de frango até o fim de outubro, sem limite de vendas.
Com o teto dos US$ 7 bilhões atingido rapidamente, as taxas sobre grãos e subprodutos voltaram a valer já em 25 de setembro.
Como ficaram as compras chinesas
Negociadores em Singapura e Pequim relataram que tradings chinesas fecharam pelo menos 10 cargas Panamax de soja argentina para abastecer estoques do quarto trimestre.
Os lotes foram cotados C&F com prêmio estimado entre US$ 2,15 e US$ 2,30 por bushel em relação ao contrato novembro na Bolsa de Chicago, segundo operadores com conhecimento direto das operações.
Um dos interlocutores mencionou que o volume poderia chegar a 15 navios, dependendo da janela logística de novembro.
Efeito imediato nos preços e no mercado
Enquanto os negócios avançavam, os contratos de farelo e óleo de soja na bolsa de Dalian recuaram cerca de 3,5%, refletindo expectativas de maior oferta e margens de esmagamento mais favoráveis na China.
Em Chicago, a perspectiva de deslocamento de demanda para a América do Sul pressionou as cotações no curto prazo.
Analistas ressaltaram que o impacto tende a ser pontual, dada a duração restrita da política argentina e a oferta limitada de soja em grão disponível para exportação imediata.
Brasil e EUA perdem espaço nesta janela
No auge da “janela” de exportação norte-americana, a China ainda não efetuou compras da safra de outono dos EUA, fator que amplia a ociosidade exportadora naquele pa


