Bando que vendeu fuzis para bandidos da Rocinha e do Complexo do Alemão pode ter recebido R$ 20 milhões

Quadrilha montava armas a partir de componentes importados dos Estados Unidos e da China

 Apontado pela Polícia Federal (PF) como suspeito de chefiar de um bando responsável por fabricar fuzis para bandidos de facções criminosas que controlam territórios em favelas do Rio de Janeiro, como a Rocinha, na Zona Sul, e o Complexo do Alemão, na Zona Norte, Silas Diniz Carvalho, foi preso nesta quarta-feira, em um apartamento em frente à Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Ele usava tornozeleira e já cumpria prisão domiciliar pelo mesmo tipo de crime. O grupo criminoso teria vendido, entre 2023 e 2025, pelo menos 400 fuzis.

A produção da quadrilha, que montava armas a partir de componentes importados dos Estados Unidos e da China, era em escala industrial, com capacidade estimada em 3,5 mil fuzis por ano. Especialistas ouvidos pelo Extra revelaram que uma arma deste tipo, montada no Brasil, a partir de componentes estrangeiros, e geralmente misturados a peças retiradas de armamento de airsoft, tem valor médio estimado para venda em torno de R$ 50 mil por unidade.

O dinheiro apreendido no apartamento de luxo na Barra da Tijuca — Foto: Polícia Federal/Divulgação
O dinheiro apreendido no apartamento de luxo na Barra da Tijuca — Foto: Polícia Federal/Divulgação

Levando em conta a estimativa de preço do armamento, feita por especialistas, quadrilha pode ter conseguido cerca de R$ 20 milhões, em dois anos, com a exploração do negócio proibido. Nesta quarta-feira, a PF informou que Silas e uma mulher, ambos presos em um mesmo imóvel na Barra da Tijuca, estariam se preparando para deixar o país em direção ao Paraguai.
 

Além de Silas e da mulher, outras cinco pessoas foram presas por conta da Operação Forja, deflagrada nesta quara-feira, para desbaratar a quadrilha. A ação ocorreu para cumprir um total de dez mandados de prisão preventiva e outros oito de busca e apreensão nos Estado do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. No imóvel onde estava o homem apontado como chefe do bando, a PF apreendeu R$ 158 mil em espécie. A Justiça também determinou o sequestro de R$ 40 milhões em bens e valores dos investigados.

 
Treze fuzis apreendidos na Rodovia Presidente Dutra, em 2024 — Foto: Reprodução
Treze fuzis apreendidos na Rodovia Presidente Dutra, em 2024 — Foto: Reprodução

A investigação é um desdobramento da "Operação Wardogs", realizada no dia 10 de outubro de 2023. Na ocasião, Silas Diniz Carvalho, foi preso em flagrante com 47 fuzis em uma mansão alugada na Barra da Tijuca. As armas estavam em malas encontradas no segundo pavimento do imóvel e seriam entregues para criminosos da favela da Rocinha. Além dele, também foram presas, na época, outras duas pessoas. A apuração de informações levou a PF a interditar uma primeira fábrica ilegal onde o armamento teria sido produzido, em Belo Horizonte (MG). Em julho de 2024, a Justiça converteu a prisão em flagrante em domiciliar, com uso de tornozeleira, atendendo um pedido feito pela defesa do suspeito. Na ocasião, os advogados alegaram que Silas corria risco e precisava de tratamento por ter doença metabólica grave, hipertensão arterial severa, além de ser portador de obesidade mórbida.