Lula diz que teve 'ótima reunião' com Trump e equipes vão se reunir 'imediatamente'

Encontro durou cerca de 50 minutos; à imprensa americano sinalizou acordos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nas redes sociais, que teve uma "ótima reunião" com o americano Donald Trump, neste domingo, na Malásia.

"Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras", escreveu o brasileiro.

A reunião ocorrerá ainda neste domingo — noite na Malásia e manhã do Brasil. A reunião bilateral começou às 15h30 (horário local) — 4h30 no horário de Brasília —, no Centro da Cidade de Kuala Lumpur (KLCC). Ao todo, durou cerca de 50 minutos.

A coversa entre os dois foi o primeiro encontro presencial desde uma rápida conversa durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, e ocorre na esteira da imposição de tarifas de 50% sobre a exportação de produtos brasileiros para os Estados Unidos e de sanções a autoridades brasileiras em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que Lula afirmou não haver assunto proibido e que o Brasil pediu para o tarifaço ser suspenso durante as negociações.

Vieira; o assessor do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa; e Audo Faleiro, diplomata da equipe do assessor especial da presidência Celso Amorim, acompanham a conversa ao lado de Lula. Do lado americano, estavam o secretário de Estado, Marco Rubio; o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante do Comércio, Jamieson Greer.

Na primeira parte do encontro, Lula e Trump falaram com os jornalistas por cerca de 10 minutos.

Questionado se os Estados Unidos reduziriam as tarifas sobre o Brasil, Trump indicou:

— Vamos discutir isso por um tempo. Sabemos o que cada um quer.

Trump afirmou ainda ser uma honra estar com o presidente do Brasil e que provavelmente eles fariam "alguns bons acordos".

Perguntado sobre Jair Bolsonaro, o presidente norte-americano disse que "se sente mal" pelo que o ex-presidente brasileiro passou, mas não respondeu se o assunto iria ser discutido no encontro.

Segundo um integrante da delegação brasileira, Lula disse a Trump que o julgamento seguiu o devido processo legal e que a aplicação de sanções a autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF) era injusta.

Lula, por sua vez, disse que tinha uma pauta extensa para discutir com Trump e que não havia motivos para desavença entre EUA e Brasil.

"Não há nenhuma razão para que haja qualquer desavença entre Brasil e Estados Unidos", afirmou o petista.

No sábado, Lula disse que convidaria Trump para comer um "pedacinho de bolo" em comemoração ao seu aniversário. O petista completará 80 anos na próxima segunda-feira (27).

"Eu acho que ele pode comer um pedacinho de bolo", disse o petista em fala à imprensa.