
A lenda da engenharia brasileira sobre uma “Catedral da Energia” escavada no coração de uma montanha, com túneis da altura de edifícios, é mais do que um mito popular: é um amálgama de fatos que apontam para dois dos projetos de infraestrutura mais audaciosos do país. O mistério central se desvenda na Serra do Mar, no Paraná, onde se esconde a Catedral Subterrânea, a Usina Hidrelétrica Governador Parigot de Souza (UHE-GPS). Esta usina, conhecida como a maior central subterrânea do sul do país (Fonte: Copel), é uma obra-prima geotécnica.
Sua casa de força não é um prédio visível, mas um complexo de cavernas artificiais talhadas na rocha. A mais impressionante delas, a Sala de Máquinas, atinge uma altura máxima de 60,5 metros (Fonte: Fonte técnica de dimensões), dimensão que a coloca no patamar de um edifício de 20 andares completamente oculto. A pauta revela não só a grandiosidade desta escavação, mas também corrige a lenda ao separá-la da métrica de geração de energia em larga escala, que pertence à Itaipu, a “grande bateria do País” (Fonte: Itaipu Binacional).
O Desafio de Escavar a Serra do Mar: A Gênese do Projeto
A criação da Catedral Subterrânea não foi um projeto de vaidade, mas uma solução elegante para um desafio geográfico imposto pela Serra do Mar, no Paraná. A genialidade da Usina Governador Parigot de Souza (UHE-GPS), originalmente chamada Capivari-Cachoeira, reside em explorar um gigantesco desnível natural. A usina opera através da derivação do Rio Capivari, represado no primeiro planalto paranaense a 830 metros de altitude. Em vez de seguir o curso natural, essa água é capturada e desviada para o litoral, descarregando no Rio Cachoeira (Fonte: Copel).Essa manobra de engenharia cria uma queda d’água bruta de aproximadamente 740 metros (Fonte: Copel). É esse desnível extremo, e não o volume de água represado, que gera o vasto potencial energético da usina. Para levar a água através da barreira física da Serra do Mar, uma região notória por sua instabilidade geotécnica, os engenheiros descartaram tubulações de superfície vulneráveis. A solução mais audaciosa, e a marca registrada da Catedral Subterrânea, foi a escavação de um túnel de adução subterrâneo com 15,4 km de extensão que perfura diretamente a rocha do maciço da Serra do Mar (Fonte: Copel).
A Anatomia da Catedral Subterrânea e Seus Recordes Nacionais
A usina subterrânea abriga sua estrutura em um complexo de cavernas artificiais, escavadas para serem o coração operacional da hidrelétrica. O complexo é formado por três cavernas principais paralelas: a Sala de Válvulas, a Sala de Máquinas e a Sala dos Transformadores (Fonte: Copel). A decisão de separá-las por pilares de rocha sã foi uma escolha estratégica de engenharia geotécnica e segurança, mantendo vãos gerenciáveis e isolando os transformadores que contêm óleo em sua própria caverna, prevenindo a propagação de incêndios (Fonte: Copel).
A lenda de que os túneis teriam a altura de um prédio de 10 andares é, na verdade, uma subestimação significativa da realidade. A Sala de Máquinas da UHE-GPS possui uma altura máxima documentada de 60,5 metros (Fonte: Fonte técnica de dimensões). Para efeito de compara&c


