PF: Empresa ligada à ex-nora de Lula vendeu livro superfaturado a município

A Polícia Federal apontou que a empresa - alvo de uma operação desta semana por suspeita de fraudes em licitações - teria revendido livros a prefeituras do interior de São Paulo por até 35 vezes do valor pago

A Polícia Federal apontou que a empresa - alvo de uma operação desta semana por suspeita de fraudes em licitações - teria revendido livros a prefeituras do interior de São Paulo por até 35 vezes do valor pago.

O que aconteceu
Um dos livros teria sido adquirido pela empresa por R$ 2,56 cada e revendido por R$ 41,50 a unidade, segundo a PF. "Ou seja, o preço de revenda foi 16 vezes o preço da compra, que, frise-se, só foi realizada depois da efetivação da venda", aponta a investigação.

A ex-nora de Lula teria atuado para ajudar na liberação dos recursos à empresa no MEC e nos municípios. Conforme mostrou o UOL, Carla Ariane Trindade foi diversas vezes a Brasília e, de acordo com a PF, as passagens foram custeadas pelo dono da Life Tecnologia Educacional, André Mariano. Trindade foi casada por 20 anos com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho da ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em 2017, e foi adotado pelo presidente Lula.

Para chegar aos valores suspeitos de superfaturamento, a PF fez uma análise por amostragem. "O sobrepreço praticado pela empresa é evidente, alcançando até 35 vezes o preço de aquisição da mercadoria", diz o documento da polícia. O UOL tenta contato com a empresa e o texto será atualizado em caso de resposta.
 
A empresa teria comprado os livros pelo preço entre R$ 1 e R$ 5, mas os revendeu por valores até R$ 80. Os dados constam em planilha feita pela Receita Federal. A investigação da PF aponta que a ex-nora de Lula "defendia os interesses" da empresa "junto a órgãos públicos, principalmente na busca por recursos e contratos".
 
Com a venda de livros e kit de robóticas, a empresa teria obtido R$ 111 milhões de quatro prefeituras diferentes. Mariano usava figuras como Carla, considerada "influente da política local e nacional" para obter contratos multimilionários. A operação deflagrada na quarta-feira pela PF prendeu o empresário e secretários de cidades envolvidas.

Em contrapartida, Mariano realizava pagamento de propina para servidores públicos, segundo a PF. A investigação afirma que o empresário usava o termo "café" como uma referência ao pagamento das vantagens indevidas. A palavra é registrada ao menos 104 vezes por ele entre 2021 e 2024, afirma a Polícia Federal.

"O que se conclui da análise "fria" das notas fiscais é que a LIFE TECNOLOGIA teria lucrado pelo menos 50 milhões de reais com a venda de livros a essas prefeituras, tendo recebido pouco mais de 86 milhões, e gasto 32 milhões, supostamente, para a compra das mercadorias. Tal análise não leva em conta eventuais gastos com serviços, funcionários, logística, dentre outros, mas que parecem ser pouco expressivos".