“Tem que denunciar”: Vozes de mulheres cuiabanas marcam o 25 de novembro

Mato Grosso lidera feminicídios e mulheres pedem ação urgente

Neste terça-feira (25.11), Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, a reportagem do  percorreu ruas de Cuiabá para ouvir mulheres sobre a importância da data e a realidade da violência no Estado, que soma 50 casos de feminicídio em 2025. Mato Grosso lidera, pelo segundo ano seguido, o ranking nacional.

Ana Moraes, moradora da Capital, afirmou que acompanha com preocupação o aumento dos crimes. “Os homens agora perderam a cabeça. Quer obrigar a morar com a mulher. Se ela não quer mais e ele não presta, aí vai e mata. Tem muita mulher bonita morta aí. Tem que acabar com isso. Tem que alguém fazer alguma coisa para esses homens. Justiça para eles”, disse. Para ela, a denúncia é essencial. “A denúncia é muito importante, filha. Nós somos família, precisamos viver.”

Ela contou que assiste casos diariamente na televisão e relatou que muitas mulheres chegam à cidade fugindo de agressões. “Apronta longe daqui e corre para cá. O cara vem atrás e mata aqui. Tem que reclamar, pedir justiça, mandar esses caras embora antes de matar ela.”

Eva Medeiros também destacou a necessidade de reflexão. “É um dia muito importante para parar e pensar, porque está tendo muita violência contra a mulher.” Ela classificou como “muito triste” o fato de Mato Grosso liderar os feminicídios. “Hoje você vê os casos que acontecem. Falta amor, respeito e consideração com o ser humano, principalmente com as mulheres.”

Para Eva, educação e conscientização precisam caminhar juntas. “Hoje, para educar nossos próprios filhos, é diferente de quando eu fui educada. Antes, o pai falava ‘não’, era ‘não’. Hoje, você fala 50 vezes e ninguém ouve.” Sobre denúncias, ela avalia que muitas vítimas permanecem com medo. “A mulher tem que ter mais atitude, ser mais firme e tomar a decisão certa.”

Luzia Margarete reforçou que a data deve servir para que mulheres identifiquem relacionamentos abusivos. “A partir do momento que a mulher aceita a primeira agressão, ela vai ser agredida sempre. Tem que afastar desse tipo de pessoa.” Ela afirma que a denúncia é indispensável, mas reconhece que muitas ainda não têm coragem. Questionada se Mato Grosso é seguro para mulheres, respondeu que a violência depende mais do agressor do que da cidade. “Todo lugar é igual. O negócio é o relacionamento.”

Valdelice Alves de Jesus apontou a falta de proteção como um obstáculo para denúncias. “Se a mulher tivesse realmente proteção, ela denunciaria. Eu conheço gente que já sofreu e não denuncia porque não tem proteção. Tem medo de denunciar e a pessoa ir lá fazer o que faz.” Ela citou casos recentes em Sinop, a 500 km de Cuiabá, e defendeu que o Estado amplie mecanismos de acolhimento. “Dizem que tem proteção, mas não é suficiente para todo mundo.” Embora reconheça o medo como fator, acredita no potencial feminino. “A mulher tem muito poder. Ela só não sabe onde está guardado.”

As entrevistas reforçam que, apesar do avanço de políticas públicas, o medo, a falta de acolhimento e a sensação de impunidade ainda impedem muitas vítimas de buscar ajuda. Para quem enfrenta violência, a orientação é procurar imediatamente os canais oficiais, como o 190, a Polícia Civil, a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e o Ligue 180.