Túnel no Portão do Inferno entra em fase de licitação

Edital sai ainda hoje e empresas têm até março de 2026 para enviar propostas

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) publicou nesta sexta-feira (28.11) o aviso de abertura da licitação para contratar a empresa que será responsável pela construção do túnel no Portão do Inferno, trecho crítico da MT-020/251 entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães. O edital nº 116/2025 será disponibilizado ainda hoje no site e prevê a execução de um túnel em via dupla com acostamento e pavimento rígido de concreto, em extensão total de 0,513 km.

O processo ocorrerá em regime de contratação integrada, modelo que concentra projeto básico, projeto executivo e obra no mesmo contrato. O envio de propostas e documentos de habilitação poderá ser feito pelo sistema SIAG a partir desta sexta até 08 de março de 2026, em período integral. A abertura da sessão está marcada para 09 de março de 2026, às 9h, na plataforma de aquisições da SEPLAG.

A abertura da licitação formaliza a mudança de rota anunciada pelo Governo após inconsistências no solo impedirem a continuidade do projeto de retaludamento, que havia sido adotado inicialmente como solução para o trecho. A alteração foi comunicada no fim de junho, quando a Sinfra informou que a remoção de maciço e a formação de taludes não poderiam ser executadas conforme previsto nos estudos iniciais.

A transição entre projetos foi marcada por divergências internas. Em julho, o secretário Marcelo de Oliveira afirmou que o túnel ainda não era uma decisão final, contrariando o anúncio oficial divulgado pela própria pasta semanas antes.

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O episódio reacendeu críticas de parlamentares, como o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), que cobrou uma definição e afirmou que a demora impacta o turismo e causa transtornos frequentes à população.

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A solução proposta também não é consenso entre especialistas. O geólogo Caiubi Kuhn, professor da Universidade Federal de Mato Grosso e presidente da Federação Brasileira de Geólogos, defende a construção de um viaduto, argumentando que já existem estudos do Estado, inclusive de 2013, que apontam essa alternativa como viável. Ele ressalta que o processo de erosão no local é contínuo, sem previsão de estabilização, e lembra que um novo projeto exigirá retomada de licenciamento ambiental desde o início.

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O trecho acumula episódios recorrentes de queda de rochas, incluindo duas ocorrências em menos de 24 horas em dezembro de 2023, que levaram o Governo a decretar situação de emergência. Durante o período chuvoso, a MT-251 costuma ser interditada por risco de novos desmoronamentos, o que obriga motoristas a utilizarem rotas alternativas que podem acrescentar até 150 quilômetros ao trajeto entre a Capital e Chapada dos Guimarães.