Dados do CNJ expõem colapso prisional em MT: 97,4% dos presos no regime fechado

Levantamento aponta que quase todas as unidades funcionam acima da capacidade

Um levantamento feito pelo , com base no painel de dados sobre inspeções penais em estabelecimentos prisionais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), revela um diagnóstico crítico sobre as cadeias e penitenciárias de Mato Grosso. Os dados mostram que a maioria das unidades opera em condições péssimas, ruins ou regulares, com superlotação recorrente, déficit de infraestrutura e quase inexistência de presos cumprindo pena em regimes alternativos.

 
O dado mais alarmante indica que 97,4% dos presos do Estado estão no regime fechado, enquanto apenas uma fração mínima cumpre pena no regime semiaberto. Outro indicador revela que, para tratamento de saúde, 96,7% dos detentos permanecem no regime fechado mesmo diante de necessidades médicas — evidenciando falta de estrutura humanizada e mecanismos de progressão.

As tabelas analisadas apontam que dezenas de cadeias públicas do Estado foram classificadas como "PÉSSIMAS", mesmo após inspeções realizadas entre agosto e setembro de 2025. Entre elas estão unidades de Barra do Garças, Colíder, Colniza, Juara, Nobres e Rondonópolis. Outro grupo significativo recebeu a classificação "RUINS", com destaque para Alta Floresta, Alto Araguaia, Araputanga, Diamantino, Lucas do Rio Verde e Nova Xavantina.

Mesmo unidades avaliadas como "BOAS" apresentaram superlotação, demonstrando que o problema é estrutural e generalizado. A Cadeia Pública de Nortelândia, única classificada como "EXCELENTE", é exceção isolada dentro de um cenário amplamente problemático.

A análise estrutural dos estabelecimentos indica baixa presença de equipamentos essenciais:

• 49 unidades têm área de banho de sol

• 38 têm salas de aula

• 36 contam com detector de metais

• 31 possuem espaço para prática esportiva

• 20 têm enfermaria

• 18 possuem gabinete odontológico

• 13 contam com local de visita íntima

Inspeções em baixa frequência

Outro dado relevante indica que Rio Grande do Sul e São Paulo lideram o ranking nacional de estabelecimentos sem registro de inspeção, mas Mato Grosso também aparece na lista. No comparativo interno, 38 inspeções foram registradas até agosto de 2025, enquanto apenas 5 ocorreram em setembro de 2025, indicando baixa frequência de fiscalização.

Superlotação mesmo com milhares de vagas projetadas

Mesmo com mais de 3 mil vagas projetadas em determinados agrupamentos, muitas unidades mantêm índices de superlotação. Cadeias como Porto dos Gaúchos, Primavera do Leste, Sorriso e Água Boa apresentam mais presos do que o total de vagas construídas.