
O delegado Nilson André Faria de Oliveira, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), revelou durante entrevista à imprensa nesta sexta-feira (05.12) detalhes de extrema brutalidade sobre o sequestro e assassinato de José Wallefe dos Santos Lins, 28 anos, morto por membros da facção criminosa Comando Vermelho (CV) em Várzea Grande.
Segundo o delegado, antes de ser executado, José, que supostamente integrava a facção Primeiro Comando da Capital (PCC), presenciou sua esposa ser obrigada a aceitar um “casamento” com outro faccionado como condição para permanecer viva.
“É um caso tão bárbaro que até nós ficamos perplexos. A esposa do José teve o braço quebrado para desbloquearem o celular dele. Depois, para deixarem ela viva, a obrigaram a aceitar outro membro da facção em casamento, na frente do esposo prestes a ser assassinado”, revelou o delegado.Nilson explicou que, após o homicídio de José, a mulher foi forçada a conviver com o criminoso, submetida a controle, ameaças e vigilância. Ela, inclusive, desenvolveu síndrome de Estocolmo com o faccionado com quem foi obrigada a se “casar” e não revelou o paradeiro dele.
“Ela foi impedida de viver dentro do Estado Democrático de Direito. Ela ‘estocolmizou’ com o agressor, tanto é que nós não descobrimos quem é agressor, que ela ficou casada, porque ela acabou não abrindo durante as investigações. Então realmente uma situação muito bárbara. ”, acrescentou.
As revelações ocorreram durante a deflagração da Operação Ditadura Faccional CPX, que cumpre 11 mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão em Cuiabá e Várzea Grande.Dos 11 alvos diretamente envolvidos no crime, três estão foragidos — uma mulher e dois homens. O principal alvo da ofensiva, Bruno César Amorim, conhecido como “Vasco”, apontado como mandante da morte de José, morreu em confronto com policiais no bairro Jequitibá, em Várzea Grande, na manhã desta sexta (05).
Caso
José desapareceu em 09 de agosto, quando ele, a esposa e o filho de um ano foram sequestrados por faccionados. O corpo foi encontrado em 20 de agosto, enterrado em cova rasa nos fundos do Residencial Isabel Campos, em Várzea Grande, com múltiplas lesões provocadas por arma branca.
A esposa e o bebê foram resgatados no dia 14 de agosto, próximos à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Ipase. Ela tinha diversas lesões; a criança estava em bom estado de saúde.A DHPP identificou a participação de vários membros da facção no sequestro, tortura, homicídio e ocultação de cadáver.
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