
Os Correios vivem um momento crítico. Funcionários de todo o país ameaçam entrar em greve na próxima terça-feira (16.12) depois que a estatal se recusou a conceder reajuste salarial e a manter o pagamento do “vale-peru”, benefício de fim de ano de R$ 2.500 por trabalhador.
A categoria acusa a direção de sacrificar os empregados pelos problemas financeiros da empresa, que enfrenta a maior crise de sua história, e promete mobilização nacional caso não haja avanços nas negociações. Além disso, os trabalhadores reclamam da ausência de qualquer proposta de reajuste baseada na inflação, alegando que não são responsáveis pela situação financeira da empresa.
O chamado “vale-peru” representa um pagamento extra de R$ 2.500 para cada um dos 80 mil funcionários dos Correios. Em 2024, a empresa gastou cerca de R$ 200 milhões com esse benefício, valor que não deve se repetir neste ano.Em reunião com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), nessa quinta (11), os Correios apresentaram sua proposta oficial: manutenção do atual Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) até 28 de fevereiro de 2026, sem pagamento do benefício extra, sem reposição da inflação e sem qualquer previsão de reajuste salarial. O acordo está previsto para vencer nesta segunda-feira (15), tendo sido prorrogado em agosto após encerrar em 31 de julho.
A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT) afirmou, por meio de nota, que a proposta ignora perdas acumuladas ao longo dos últimos anos e não contempla medidas de valorização da categoria, que enfrenta queda de renda e aumento do custo de vida.
“Diante do impasse e da falta de avanço real, não há como considerar a proposta satisfatória, pois ela não responde às necessidades urgentes da categoria. Por essa razão, os sindicatos filiados mantêm o indicativo de greve para o próximo dia 16 de dezembro, reafirmando a mobilização nacional da categoria”, informou a entidade.Segundo o FINDECT, o conteúdo apresentado pela empresa será debatido de forma ampla e democrática nas assembleias convocadas para o dia 16, onde os trabalhadores deliberarão sobre os próximos passos da campanha salarial.
Crise financeira dos Correios
As despesas com pessoal são um dos principais problemas da estatal. A empresa projeta encerrar 2025 com R$ 22,9 bilhões em despesas correntes, sendo que a maior fatia, R$ 15,1 bilhões, está relacionada a gastos com pessoal.
O projeto de reestruturação inclui medidas de corte de gastos, como um plano de demissão voluntária (PDV), exigido pelo Tesouro Nacional como contrapartida para aporte emergencial. Até o momento, a empresa não conseguiu avançar nas negociações com os bancos para obter o empréstimo de R$ 20 bilhões.Enquanto isso, os Correios negociam um aporte do Tesouro como uma espécie de ponte até que o empréstimo bancário seja fechado. A Caixa Econômica Federal foi acionada pelo governo para participar das negociações.


