Heineken fecha fábrica um dia após treinamento, demite 350 de uma vez e expõe abandono de planta considerada defasada, mesmo após anos de operação, expectativas internas e poucas explicações aos trabalhadores

Heineken encerra fábrica em Pacatuba, no Ceará, demite cerca de 350 trabalhadores e confirma estratégia ligada a mudanças no mercado cervejeiro.

A fábrica da Heineken em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza, encerrou a produção no começo deste mês e desligou 98 funcionários contratados diretamente, conforme informações confirmadas pelo sindicato da categoria.

 

Além deles, estimativas apontam que cerca de 250 trabalhadores terceirizados também perderam o emprego, o que pode elevar o total de desligamentos para aproximadamente 350 pessoas.

A empresa não detalhou publicamente o número final de trabalhadores atingidos.

Segundo reportagem publicada pelo Diário do Nordeste no começo deste mês de dezembro, o ambiente interno da unidade foi marcado por incertezas nos dias que antecederam o fechamento.

“Os últimos dias foram muito angustiantes. O nível de ansiedade das pessoas na fábrica era muito grande, por conta da incerteza que se tinha”, relatou ao jornal um técnico eletricista da planta, que pediu para não ser identificado por receio de represálias.

 

Ele trabalhava havia 15 anos na empresa e afirma ter sido desligado junto com outros 97 empregados diretos.

Procurada, a Heineken não informou quantos trabalhadores diretos e terceirizados mantinha na unidade cearense, nem apresentou detalhes sobre o procedimento adotado para as demissões.

A Prefeitura de Pacatuba também declarou não possuir números oficiais consolidados sobre o total de empregos vinculados à fábrica.

Mudanças operacionais antecederam fechamento da fábrica

De acordo com a apuração do Diário do Nordeste, o encerramento das atividades não foi comunicado formalmente aos trabalhadores até o dia do anúncio.

 

Ainda assim, mudanças na operação já estavam em curso.

Um dos principais sinais ocorreu em julho, quando a linha de garrafas foi desativada, mantendo apenas a produção de latas na unidade.

Até então, a planta de Pacatuba engarrafava marcas como Kaiser, Tiger, Skin, Amstel e Devassa em embalagens de vidro de 600 ml e 300 ml.

A interrupção dessa linha levou parte dos trabalhadores a interpretar a medida como temporária, enquanto ajustes internos estariam sendo avaliados.

“A gente estava na indecisão de saber como seria o futuro da fábrica. Estávamos esperando que a linha reabrisse, talvez em setembro, mas isso não veio”, afirmou o técnico eletricista, em entrevista concedida ao Diário do Nordeste.

 

Ele relatou que, a partir de outubro, houve redução no recebimento de insumos e diminuição gradual da presença de fornecedores de serviços.

Ainda segundo o ex-funcionário, no mês passado os tanques passaram a ser esvaziados.

Apesar disso, havia diferentes interpretações entre os trabalhadores sobre o significado da medida.

“Os esperançosos acreditavam que esvaziaria e recomeçaria”, disse.

Outros, no entanto, passaram a considerar o fechamento como possibilidade concreta.

Treinamento antecedeu anúncio do encerramento das atividades

O jornal também apontou que o comunicado oficial do encerramento ocorreu após um dia de treinamento e dinâmica em grupo com os trabalhadores.