
Com capacidade superior a 15 milhões de quilos por ano, a Pure Harvest Smart Farms opera estufas climatizadas que entregam tomates, folhas e berries durante os 12 meses, mesmo sob o calor extremo dos Emirados Árabes Unidos.
Trata-se de um caso de agricultura em ambiente controlado que se consolidou no Golfo a partir de 2017, com produção próxima aos centros consumidores e foco em reduzir a dependência de alimentos importados por via aérea.
A companhia afirma produzir o ano inteiro com padrão uniforme de qualidade e disponibilidade, apoiada por parques de cultivo de alta tecnologia e processos pós-colheita integrados.
Estufas climatizadas nos Emirados Árabes
As unidades produtivas ficam estrategicamente distribuídas no país, com destaque para o polo de Al Ain, no emirado de Abu Dhabi.
Nessas estufas de vidro, o microclima é controlado para manter temperatura e umidade dentro de faixas estáveis, viabilizando ciclos contínuos.
A lógica é típica de cultivo protegido: sensores e sistemas de automação ajudam a preservar a produtividade em meses de maior estresse térmico, reduzindo oscilação de rendimento e de calibre.
O abastecimento se concentra em cadeias de varejo do próprio país e de mercados próximos, sustentado pelo princípio “grown here, not flown here”, que privilegia produção local e trajetos curtos até as prateleiras.
Climatização eletrificada e eficiência energética
A climatização é um dos eixos técnicos da operação.
Em parceria com a indústria de refrigeração e ar-condicionado, a empresa implantou uma planta eletrificada de aquecimento e resfriamento em estufa no deserto, combinando bombas de calor e chillers de alta eficiência.
O sistema foi desenhado para atender demandas simultâneas de calor e frio com menor consumo energético e hídrico em comparação a arranjos convencionais, o que é central para viabilizar horticultura de precisão em um dos ambientes mais desafiadores do planeta.
Esse arranjo permite manter as condições internas mesmo quando a temperatura externa ultrapassa 45 °C, algo recorrente no verão do Golfo.
Controle biológico e qualidade sem resíduo
O manejo fitossanitário privilegia controle biológico.
Segundo a Pure Harvest, o uso de insetos benéficos no lugar de defensivos químicos visa garantir produto “livre de resíduo de pesticidas”, um atributo valorizado pelo varejo e por consumidores que buscam rastreabilidade.
A estratégia inclui seleção de sementes adaptadas ao cultivo protegido, condução e podas específicas por cultura e acesso a luz natural abundante, modulada por sombreamento conforme a estação.
A empresa também declara eficiência significativamente superior à de lavouras a céu aberto e de estufas desérticas tradicionais, resultado de ganho de produtividade por metro quadrado e de melhor aproveitamento de água e insumos.
Portfólio com tomates, folhas e berries
Tomates respondem pela maior fatia do portfólio e aparecem em diversas variedades, do tipo grape aos alongados, passando por frutos voltados a maior vida de prateleira.
A operação também abrange folhas e berries, com destaque para morangos cultivados em sistemas protegidos, o que amplia a oferta local de frutas que historicamente dependiam de importação por longas distâncias.


