
Com uma megahidrelétrica em cascata no Rio Yarlung Tsangpo, a China investe R$ 925,4 bilhões para gerar 70 gigawatts, reforçar a segurança energética interna e aumenta tensão com Índia, Bangladesh, rios, terremotos, biodiversidade rara e obras de alto risco em área sísmica, com potenciais impactos duradouros na água regional compartilhada.
Em 21 de dezembro de 2025, a construção de uma megahidrelétrica em cascata no trecho inferior do Rio Yarlung Tsangpo, no Tibete, foi detalhada como o maior projeto hidrelétrico da China, com investimento estimado em 1,2 trilhão de yuans, cerca de US$ 167 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 925,4 bilhões, e capacidade projetada de 70 gigawatts.
A usina, planejada para aproveitar um desnível de cerca de 2.000 metros concentrado em aproximadamente 50 quilômetros, pretende gerar algo em torno de 300 bilhões de kWh por ano, integrando o Tibete à rede elétrica nacional, abastecendo centros industriais chineses e reposicionando o país no debate global sobre transição energética e redução do uso de carvão.
Onde a megahidrelétrica será construída e por que o local é estratégico

Ali, o Rio Yarlung Tsangpo forma um grande vale profundo, que combina queda abrupta de altitude com forte potencial hidrelétrico ainda pouco explorado em escala industrial.
O plano prevê um complexo de barragens em cascata, e não apenas uma única estrutura, desenhado para aproveitar o máximo possível do desnível em sequência.
Essa configuração multiplica a capacidade de geração ao longo do curso do rio e transforma a área em um dos principais polos de produção elétrica do país.
Além do componente energético, o projeto é visto em Pequim como instrumento de integração física do Tibete à infraestrutura nacional, com novas rodovias, linhas de transmissão e reforço logístico em áreas remotas do planalto.
A construção de acesso permanente para máquinas pesadas, equipes e materiais é parte essencial do cronograma e amplia o alcance estatal em uma região geopolítica sensível.
Quanto a megahidrelétrica pode gerar e que papel terá na matriz chinesa
Segundo as projeções oficiais, a megahidrelétrica no Tibete pode alcançar cerca de 70 gigawatts de capacidade instalada, superando várias grandes usinas já em operação no mundo.
Em termos de produção anual, a meta é atingir aproximadamente 300 bilhões de kWh, volume suficiente para sustentar tanto o consumo local quanto o fornecimento a grandes polos industriais em outras províncias.
As autoridades chinesas apresentam o empreendimento como peça central para reforçar a segurança energética interna e reduzir gradualmente a dependência de termelétricas a carvão, alinhando o país a metas de redução de emissões de gases de efeito estufa.
A ideia é usar a geração estável da megahidrelétrica como base para viabilizar o fechamento de parte das usinas mais antigas e poluentes.
Na retórica oficial, a megahidrelétrica é um exemplo de como grandes projetos podem ser usados para acelerar a transição energética.
Ao mesmo tempo, especialistas lembram que a concentração de tanta potência em um único corredor hídrico cria novos tipos de risco sistêmico, exigindo planos de operação e emergência compatíveis com a escala do empreendimento.
Por que a megahidrelétrica acende alerta na Índia e em Bangladesh
O Rio Yarlung Tsangpo, que alimenta a megahidrelétrica, se torna o Brahmaputra ao cruzar a fronteira com a Índia e seguir em direção a Bangladesh.
O curso d’água é vital para abastecimento de água, irrigação agrícola e geração elétrica nesses países, o que torna qualquer barramento em seu alto curso um fator imediato de preocupação regional.
Em Nova Délhi, analistas de segurança hídrica alertam para o risco de mudanças no volume e na sazonalidade das águas, especialmente durante períodos de secas severas ou cheias extremas.
A operação de grandes reservatórios em território chinês pode alterar picos de vazão, reduzir fluxos em momentos críticos e ampliar a sensação de vulnerabilidade em regiões já sujeitas a enchentes e desastres climáticos.


