
Nunca é tarde para recomeçar, nem depois dos 90 anos, quando muita gente acredita que o tempo de aprender já passou, um idoso do Nordeste decidiu provar exatamente o contrário. Morador de Fortaleza, no Ceará, Aélio Monteiro transformou um período difícil da vida em um recomeço surpreendente. A
pós se aposentar e enfrentar a depressão, ele voltou à universidade e conquistou um novo diploma, desta vez em psicologia, emocionando familiares, colegas e milhares de pessoas que conheceram sua história.
Uma vida inteira dedicada ao ensino
Natural do Ceará, Aélio Monteiro sempre teve uma relação profunda com a educação. Sua primeira graduação foi em Geografia, concluída em 1964. Antes mesmo de receber o diploma, em 1961, ele já atuava como professor, dando início a uma longa trajetória no magistério.Ao longo das décadas, lecionou em diversos colégios tradicionais do estado, como Carolino Sucupira, Paulo VI, Instituto de Educação, Santa Cecília, Santa Inácio, Santa Isabel, Juvenal de Colégio e Colégio Cearense. A sala de aula foi sua casa por mais de 60 anos, até que ele se aposentou aos 84.
Depressão na aposentadoria: o impacto emocional
A saída da rotina de trabalho trouxe um efeito inesperado. Como acontece com muitos aposentados, Aélio passou a se sentir perdido, desanimado e emocionalmente abalado.
A depressão em idosos é um problema sério e crescente, reconhecido por instituições como o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde, que alertam para o impacto do isolamento social e da perda de propósito nessa fase da vida. Foi dentro de casa que surgiu a virada.
O conselho que mudou tudo
Carmen Monteira, esposa de Aélio e psicóloga, percebeu que o marido precisava de algo mais do que descanso. Em vez de apenas recomendar tratamento, ela fez uma sugestão direta e transformadora: voltar a estudar.
“Minha esposa, que é psicóloga, disse que o remédio para você é fazer Psicologia”, contou Aélio.
Sem muito tempo para hesitar, Carmen o matriculou em uma faculdade de psicologia privada no Ceará. A decisão marcou o início de uma nova fase.
O idoso que virou inspiração na faculdade
A presença de um aluno com mais de 90 anos chamou atenção logo nos primeiros dias de aula. Mesmo reconhecendo que a rotina acadêmica não era simples para sua idade, Aélio encontrou apoio por todos os lados.
“A classe me recebeu muito bem. Não foi fácil, porque não é fácil pra minha idade, mas eu tinha tanta mão pra segurar”, relembrou. Colegas, professores e familiares estiveram ao seu lado durante todo o curso.
Segundo o Conselho Federal de Psicologia, a diversidade de experiências de vida enriquece a formação acadêmica e profissional, algo que Aélio levou naturalmente para a sala de aula.
Idoso e sua nova profissão aos mais de 90 anos!
Depois de superar desafios físicos, emocionais e acadêmicos, Aélio chegou ao grande dia. A formatura teve tudo o que qualquer estudante sonha: beca, fotos com a turma e muita emoção. Exatos 63 anos depois da primeira graduação, ele reviveu o momento com intensidade renovada.
Mais do que um diploma, a conquista representou a superação da depressão e a abertura de um novo caminho profissional.Orgulho em casa e novos planos

Para Carmen, a conquista do marido teve um significado especial.
“Fiquei mais feliz com ele do que com a minha própria formatura”, disse, emocionada.
E os planos não param por aí. A psicóloga já sonha com um novo desafio para o marido: um mestrado. Aélio, por sua vez, não descarta a ideia.
Durante o curso, ele se identificou especialmente com o pensamento de Carl R. Rogers, um dos principais nomes da psicologia humanista, que valoriza a experiência individual e a escuta empática.
“O psicólogo não atende doentes nem malucos. Qualquer pessoa que tenha uma dor psíquica, por menor que seja, precisa procurar um psicólogo”, destacou Aélio.
Um exemplo que vai além da idade
A história de Aélio Monteiro reforça o que estudos recentes do National Institute on Aging apontam: manter-se ativo intelectualmente e socialmente é um fator importante para a saúde mental na terceira idade. Seu caso mostra que aprender, sonhar e recomeçar não têm prazo de validade.
E você, o que achou dessa história inspiradora? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe este artigo com alguém que precisa acreditar que nunca é tarde para recomeçar.


