De maior plantador de banana de Corupá a quebrado no Brasil, Valdemir recomeça com 28 dólares nos EUA, vira referência em pisos em Massachusetts e conquista segurança para a família

Maior plantador de banana de Corupá vive recomeço nos Estados Unidos, troca banana de Corupá por loja de pisos e hoje é referência em pisos em Massachusetts.

 A história do maior plantador de banana de Corupá não termina no pé de serra de Santa Catarina, cercado por morros e cachoeiras. Ela atravessa fronteiras, passa por falência, assalto à mão armada e recomeço em outro país, até desembocar em uma loja de pisos movimentada em plena rota 20, em Massachusetts, nos Estados Unidos.

Um dia ele foi fazendeiro, dono de caminhões e referência em banana na capital catarinense da fruta. Depois virou mais um brasileiro quebrado, com uma pilha de cheques sem fundo nas mãos. Anos mais tarde, o mesmo homem que já foi o maior plantador de banana de Corupá reaparece como empresário respeitado no ramo de pisos, lembrando que a virada só foi possível com trabalho pesado, humildade e busca por segurança para a família.

De maior plantador de banana de Corupá ao fundo do poço financeiro


Em Corupá, no norte de Santa Catarina, ele chegou ao auge. O maior plantador de banana de Corupá tinha cerca de 50 mil pés de banana plantados, em uma fazenda que impressionava pela estrutura. Além da produção, mantinha cinco ou seis caminhões próprios, rodando o Brasil inteiro e até fora do país com carga de banana.

Corupá é reconhecida como capital catarinense da banana, e a região chegou a entrar para o Guinness pela banana mais doce do mundo. Dentro desse cenário, ele era visto como um produtor forte, bem-sucedido, considerado rico e até apontado como milionário na época, com volume, frota e mercado cativo em centrais de abastecimento.

Calotes, cheques sem fundo e a queda do império da banana

A virada negativa veio em silêncio. O maior plantador de banana de Corupá vendia para o Brasil inteiro e também para a Argentina. Os caminhões seguiam carregados, mas os pagamentos começaram a falhar. Entraram em cena cheques a 60 e 90 dias, promessas de quitação futura e um padrão que ele resume sem rodeios: muito calote. 

Foi na Argentina que veio o maior golpe financeiro, mas o problema não ficou restrito a um cliente ou a um país. Acumularam-se cheques sem fundo, processos que não traziam o dinheiro de volta e a percepção amarga de que, para o pequeno e médio empresário, a justiça não funcionava. Aos poucos, a fazenda, os caminhões e o conforto construído em décadas foram escorrendo pelos dedos.
 

Da banana à busca por segurança para a família

 

Quando o negócio de banana ruiu, o maior plantador de banana de Corupá deixou a cidade natal e mudou-se para Curitiba. Lá, manteve a ligação com o setor de hortifruti, com box no Ceasa, vendendo banana e outras mercadorias para clientes da região.

Ao mesmo tempo, ele levava uma segunda vida como líder religioso. Cresceu na Assembleia de Deus, formou-se em teologia e chegou a ser vice-presidente da igreja na cidade, atuando como conferencista, mas sem viver de salário fixo da obra. Mesmo assim, a insegurança urbana e um assalto traumático em São Paulo, quando tentou abrir uma livraria cristã, acenderam o alerta definitivo. Com arma apontada para a cabeça e tentativa de arrancar a aliança à força, ele passou a pensar menos em negócios e mais em segurança para os filhos.

O salto para os EUA com apenas 28 dólares no bolso

A ideia de ir para os Estados Unidos nasceu do desejo de dar aos filhos outra realidade. O maior plantador de banana de Corupá chegou a planejar ficar um ano no país só para que os filhos aprendessem inglês, e depois seguir para a Europa. Os planos mudaram, mas o primeiro passo foi dado.

 

Sem dinheiro para a passagem, ele recebeu o bilhete aéreo de presente de um amigo pastor. Quando embarcou, levava apenas 28 dólares no bolso. Um amigo o buscou em Miami e, já no dia seguinte, ele começou a trabalhar com instalação de pisos cerâmicos, algo completamente novo para quem vinha do campo e do transporte de carga. Em poucos dias, passou de ajudante a instalador. Em pouco mais de um ano, já encarava obras grandes, como escolas com dezenas de banheiros para revestir.

Da Flórida a Massachusetts, guiado por trabalho e humildade

A primeira parada foi na Flórida, mas o clima pesado e o calor extremo o incomodaram. Ele decidiu mudar-se para Massachusetts, atraído por uma oportunidade em uma companhia de pisos no norte dos Estados Unidos. Fez um teste prático, pediu um banheiro para mostrar o que sabia fazer e saiu de lá contratado, ouvindo que parecia ter “20 anos de experiência”, mesmo tendo pouco mais de um ano na área.

Nos primeiros meses, veio sozinho. Só depois de conseguir alugar uma casa é que trouxe esposa e filhos do Brasil. A rotina era de 100 horas de trabalho por semana, sem férias, sem décimo terceiro, sem folga, mas com algo que ele sempre destaca: a sensação de segurança ao voltar para casa, trancar as portas e saber que a família estava protegida.

Quando o maior plantador de banana de Corupá vira referência em pisos

Com o tempo, o maior plantador de banana de Corupá deixou de ser apenas instalador e abriu sua própria empresa de instalação de pisos. Chegou a ter cinco ou mais vans rodando com equipes formadas por instalador e ajudante, atendendo obras residenciais de grande porte.

Um marco dessa fase foi o contrato com um grande construtor da região, um empresário judeu que confiou nele para fornecer e instalar pisos em dezenas de casas em um mesmo condomínio. A partir daí, a empresa passou a atender projetos de 40, 50 e até mais de 200 casas, em empreendimentos de longo prazo em cidades de Massachusetts.

Da instalação à loja própria de pisos e revestimentos






O passo seguinte foi natural. Como os clientes das construtoras precisavam escolher revestimentos, nasceu a oportunidade de abrir um showroom próprio.