Entre reencontros e queixas, passageiros lotam rodoviária de Cuiabá

Famílias que passam pela rodoviária falam de reencontros, atrasos e falta de suporte no último dia de 2025

“O coração fica partido. Deixamos duas filhas e estamos indo ver o filho.” A frase de Rosita resume o sentimento de quem cruzava o Terminal Rodoviário Engenheiro Cássio Veiga de Sá, em Cuiabá, na manhã desta quarta-feira (31.12), para passar a virada do ano ao lado da família. A reportagem do  acompanhou o movimento no local e ouviu passageiros sobre expectativas, dificuldades da viagem e planos para o Ano-Novo.

Rosita contou que saiu de Sapezal, município a 473 km de Cuiabá, com destino a Rondonópolis, distante 215 km da Capital. Segundo ela, a viagem tem como principal motivo o reencontro com o filho, que passou a morar recentemente no município do sul do Estado. “Esse ano é a segunda vez. Antes ele morava em Campo Grande”, explicou. Apesar da expectativa positiva para a virada, ela relatou contratempos no trajeto. “A viagem foi boa, poderia ter sido melhor se não tivesse tido atraso na saída. Perdemos o ônibus para Rondonópolis, mas já estamos com a passagem”, disse. Sobre o Réveillon, resumiu: “Com certeza, só alegria e muita saúde. A ceia eu vou deixar para a minha nora”.

Também morador de Sapezal, Jair José Gaspar seguia para Rondonópolis para visitar o filho e a nora. Ele criticou o atraso do ônibus logo na saída da cidade. “A empresa saiu de Sapezal com uma hora de atraso. Isso não é permitido. Se o ônibus ficou o dia inteiro em manutenção, não pode sair atrasado desse jeito”, reclamou. Segundo ele, não houve qualquer tipo de apoio aos passageiros. “Suporte nenhum. Chegamos aqui e não tinha informação. Procurei a empresa, mandei áudio e até agora não responderam”, afirmou.

Jair também fez críticas à ausência de atendimento de órgãos fiscalizadores no terminal. “Esses mecanismos que dão suporte ao passageiro deveriam funcionar. Hoje, 31 de dezembro, o último dia do ano, deveria ter um aparato à altura. Não tivemos”, disse. Apesar disso, elogiou a estrutura física da rodoviária. “A rodoviária está muito boa, melhorou muito. Eu frequento aqui desde 1979 e nunca esteve tão boa quanto agora”, completou.

Já Aldo Pereira, que saiu de Nobres, município a 151 km de Cuiabá, tinha como destino Paranatinga, a 375 km da Capital. Ele relatou uma experiência diferente. “Muito boa, uma viagem muito boa”, disse ao comentar o trajeto até a rodoviária. Aldo contou que precisou pegar dois ônibus e aguardava o embarque do segundo trecho, previsto para o meio-dia.

Animado com o reencontro familiar, Aldo afirmou que iria passar o fim de ano com as irmãs em Paranatinga. “Vai ter churrasco, muitas coisas. Já está tudo organizado”, relatou. Segundo ele, fazia dois anos que não conseguia visitar a família no período de fim de ano por causa do trabalho. “Esse ano sobrou um tempinho para a gente ir”, afirmou.

O movimento intenso no terminal reflete a tradição de viajar para celebrar a virada do ano em família, mas também expõe reclamações recorrentes sobre atrasos e falta de informações aos passageiros, especialmente em datas de grande fluxo, como o último dia do ano.