As discussões ainda são preliminares e nenhuma decisão foi tomada, disse o funcionário, pedindo para não ser identificado por se tratar de assuntos não públicos. O desafio de restaurar sistemas como a rede elétrica, após décadas de negligência, tornou-se crucial para os esforços dos EUA em reativar a economia venezuelana desde a destituição do presidente Nicolás Maduro no início deste mês.
Um alvo inicial para o investimento poderia ser a rede elétrica da Venezuela, necessária para a produção de petróleo e outras melhorias de infraestrutura, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões, que pediram para não serem identificadas.
Segundo pessoas com conhecimento do assunto, os EUA também consideraram se a receita do setor petrolífero poderia ser usada para melhorias na infraestrutura gerenciadas ou supervisionadas por Washington.
A busca da Casa Branca por mecanismos de financiamento faz parte de um esforço mais amplo para mobilizar recursos para a Venezuela, que pode incluir a flexibilização das restrições às empresas petrolíferas estrangeiras que operam no país e o desbloqueio de ativos mantidos em bancos americanos, bem como a busca por financiamento de outras fontes, como o Fundo Monetário Internacional, disseram as fontes.
Criada durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump, a DFC se autodenomina “o braço de investimento internacional do governo dos EUA”. Ela se tornou uma ferramenta fundamental para os esforços da administração do país em aproveitar os interesses geopolíticos e econômicos dos Estados Unidos. Trump nomeou Ben Black, filho do bilionário Leon Black, para dirigir a DFC, que frequentemente investe em conjunto com grandes empresas do setor privado.
Mas a agência enfrenta restrições legais às suas operações na Venezuela, que uma lei aprovada no final do ano passado designou como um dos sete “países de preocupação” onde a atuação da agência é estritamente limitada. A DFC provavelmente precisaria de uma mudança na legislação ou de uma autorização presidencial especial para realizar projetos no país sul-americano.
Trump afirmou que deseja trabalhar com a Venezuela para estabilizar o país após a repentina prisão de Maduro pelos EUA, que enfrenta acusações de tráfico de drogas e porte ilegal de armas em tribunais americanos. Uma parte importante do plano de Trump é aumentar a produção de petróleo no país, que possui uma das maiores reservas do mundo, e ele afirmou que tanto os EUA quanto a Venezuela se beneficiariam disso.
O governo da Venezuela atribuiu grande parte das dificuldades econômicas do país à política externa dos EUA contra o governo de Maduro, incluindo a proibição da venda de dívida venezuelana nos mercados financeiros americanos desde 2017 e as sanções ao petróleo impostas a partir de 2019. Delcy Rodríguez, que foi vice-presidente de Maduro e agora é presidente interina, opôs-se à prisão de Maduro pelos EUA, mas afirmou que cooperaria com a Casa Branca em uma agenda conjunta.
Na última sexta-feira, dia 9, Trump declarou estado de emergência nacional e emitiu uma diretiva destinada a bloquear reivindicações sobre a receita proveniente das vendas de petróleo venezuelano. A Casa Branca afirmou que a diretiva visa salvaguardar a receita do petróleo bruto mantida em contas do Tesouro dos EUA, impedindo que os credores do país sul-americano a utilizem para satisfazer dívidas ou outras reivindicações legais. Trump afirmou que deseja usar os recursos provenientes das vendas de petróleo venezuelano para beneficiar tanto o povo americano quanto o venezuelano, a critério do governo dos EUA.


