Por que Lula proibiu o assessor de Trump que queria visitar Bolsonaro de entrar no Brasil

Darren Beattie é conselheiro sênior para política brasileira no Departamento de Estado dos EUA

 O Ministério das Relações Exteriores (MRE) revogou o visto concedido ao conselheiro sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos para o Brasil, Darren Beattie, nesta sexta-feira (13/3).

A revogação foi confirmada pelo órgão à BBC News Brasil. De acordo com o Itamaraty, o cancelamento do visto aconteceu por suposta omissão de informações relevantes e alegações falsas, como a de que Beattie teria agenda diplomática com oficiais do governo brasileiro, o que só teria sido tentado após questionamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que a revogação do visto de Beattie ocorreu como resposta ao cancelamento do visto da família de Alexandre Padilha, ministro da Saúde, em agosto do ano passado, em meio a sanções de Donald Trump sobre o Brasil.

"Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado", afirmou Lula, em um evento no Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro.
 

O cancelamento do visto de Beattie aconteceu após a tentativa dele de visitar Jair Bolsonaro (PL) no presídio onde o ex-presidente cumpre pena, em Brasília.

O pedido chegou a ser autorizado pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, na terça-feira (10/3), a pedido dos advogados de Bolsonaro.

Mas na quarta-feira, após um novo pedido da defesa sobre o horário da visita, Moraes solicitou esclarecimentos ao MRE sobre a agenda de Beattie no Brasil.

Na resposta, o Itamaraty disse que, no pedido de visto de Beattie, não foi informado que ele visitaria Bolsonaro e que essa visita poderia representar uma "ingerência política" em assuntos internos do Brasil em meio a um ano eleitoral.