Faccionados são condenados por cobrar “taxa da água” em VG e movimentar R$ 1,5 milhão

Cobranças variavam entre pagamentos semanais de até R$ 500 ou valores mensais de até R$ 2 mil

 Ulisses Batista da Silva e Eduardo Virgílio de Oliveira Ajala foram condenados por integrar um esquema criminoso que cobrava “taxa” de comerciantes de água mineral em Cuiabá e Várzea Grande.

Ligado ao Comando Vermelho, o grupo extorquia empresários ao exigir pagamento por cada garrafão vendido. Os condenados foram alvos da Operação Falso Profeta, deflagrada em março de 2025 pela Polícia Civil.

Ulisses Batista foi condenado a 18 anos, 6 meses e 1 dia de prisão pelos crimes de organização criminosa, extorsão e lavagem de dinheiro. Já Eduardo Virgílio recebeu pena de 10 anos, 3 meses e 20 dias por organização criminosa e extorsão. A sentença foi proferida nessa quinta-feira (19.03) pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

De acordo com a ação, o grupo atuou entre novembro de 2024 e março de 2025. O esquema, apelidado de “Projeto da Água”, previa a cobrança de R$ 1 por unidade comercializada, mediante ameaça.

Para operacionalizar a extorsão, os envolvidos utilizavam grupos de WhatsApp para intimidar comerciantes, realizavam abordagens presenciais com ameaças e recorriam a empresas de fachada para lavar o dinheiro obtido ilegalmente.

Ao todo, mais de R$ 1,5 milhão teriam sido movimentados com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos valores.

Segundo o processo, comerciantes eram inseridos em grupos de mensagens e pressionados a aderir ao esquema. Aqueles que saíam ou se recusavam a pagar eram posteriormente abordados pessoalmente.

Relatos apontam que as cobranças variavam entre pagamentos semanais de até R$ 500 ou valores mensais de até R$ 2 mil. Mesmo quando não havia ameaça explícita, o vínculo do grupo com a facção criminosa gerava temor entre as vítimas.