
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCEMT), Sérgio Ricardo, afirmou em entrevista à imprensa nesta terça-feira (31.03) que a mudança no comando do Governo de Mato Grosso não deve provocar alterações significativas na condução administrativa.
Segundo ele, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) deve seguir o plano de governo já executado por Mauro Mendes (União). “Não há muita diferença na gestão porque são oito ou nove meses de mandato. Entendo que o Pivetta vai seguir rigorosamente o plano de governo que o Mauro Mendes já vinha tratando. Eu vejo que nada vai mudar”, declarou.
Apesar da avaliação de continuidade, Sérgio Ricardo fez um apelo direto para que o novo chefe do Executivo estadual priorize políticas sociais. “Eu aproveito como cidadão de Mato Grosso para fazer um pedido ao governador que vai assumir: que cuide das desigualdades, que se dedique nesse restante de mandato a cuidar da pobreza. Mato Grosso tem ilhas de prosperidade e ilhas de miséria”, afirmou.
O presidente do TCE detalhou o cenário de desigualdade e citou exemplos concretos no Estado. “Nós temos uma cidade aqui em Mato Grosso que tem gente mais pobre do que a cidade mais pobre do estado mais pobre do Brasil, que é Nova Nazaré”, disse, ao mencionar o município de Nova Nazaré.
Ele também destacou problemas estruturais na Baixada Cuiabana, citando Barão de Melgaço e Santo Antônio de Leverger, além de comunidades em Cuiabá e Várzea Grande.
“Esse povo ribeirinho, esse povo da Várzea Grande... tem 80 favelas em Cuiabá e Várzea Grande. Não tem energia trifásica em várias regiões. Nós temos miséria na Baixada Cuiabana”, afirmou.
Sérgio Ricardo também criticou a aplicação de recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB), apontando distorção entre arrecadação e investimentos na área social.
“O FETHAB foi um imposto criado no Governo Dante de Oliveira. Se você olhar a sigla, tem ‘HAB’, que é habitação. No ano passado, arrecadou quase R$ 4 bilhões. Era para investir cerca de 16%, algo em torno de R$ 900 milhões, mas investiu apenas 2,8%, que não chegou a R$ 100 milhões”, criticou.
Segundo ele, a baixa aplicação de recursos contribui diretamente para o aumento do déficit habitacional. “Isso é falta de teto, isso é surgimento de favelas. Sempre vai faltar, por mais que o Estado invista, mas precisa investir mais em gente”, completou.
Apesar das críticas, o presidente do TCE reconheceu os avanços na área de infraestrutura durante a gestão estadual. “Foi um dos melhores governos das últimas décadas, um governo que entregou muito, que investiu em grandes obras. Isso precisa continuar”, afirmou.
Ele citou obras como o BRT e intervenções no Portão do Inferno, destacando que o Tribunal deve intensificar a fiscalização. O plano, segundo Sérgio Ricardo, deve orientar as próximas gestões e evitar distorções na aplicação de recursos públicos.
“Vamos cobrar dos governos que vierem pela frente o cumprimento dessas metas, para que não haja mais situações como arrecadar bilhões para habitação e não investir na habitação”, concluiu.
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