
A criação de uma Delegacia da Mulher com funcionamento 24 horas em Várzea Grande foi confirmada nessa quarta-feira (01.04) pelo governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), durante entrevista coletiva no Palácio Paiaguás. A unidade, reivindicada há cerca de seis anos por lideranças políticas do município, passa a integrar o conjunto de ações prioritárias da nova gestão estadual na área de segurança pública.
A declaração ocorre um dia após Pivetta assumir o comando do Estado, na terça-feira (31.03), com a saída de Mauro Mendes (União), que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado Federal. Ao ser questionado sobre a implantação da delegacia em Várzea Grande ainda durante seu mandato, o governador foi categórico: “Vai ter a delegacia, vai ter a delegacia, vai funcionar 24 horas”.
Segundo Pivetta, a instalação da unidade faz parte de um plano mais amplo de enfrentamento à violência contra a mulher, que será anunciado oficialmente na próxima semana. Ele informou que já realizou reuniões com a equipe de segurança pública para definir prioridades e estruturar as ações que serão implementadas em todo o Estado.
Durante a coletiva, o governador destacou que o governo possui um levantamento detalhado da incidência de violência doméstica em Mato Grosso, o que tem orientado a definição das políticas públicas. De acordo com ele, somente neste ano já foram registrados dez feminicídios em diferentes regiões, incluindo municípios como Vila Bela da Santíssima Trindade, São José do Xingu, Rondonópolis, Porto dos Gaúchos, Itaúba, Nova Maringá, Lucas do Rio Verde e Chapada dos Guimarães, além de dois casos em Cuiabá.
Ao abordar alternativas para ampliar o atendimento às vítimas, Pivetta citou a existência de delegacias virtuais, mas ponderou que esse formato não substitui o atendimento presencial. Segundo ele, há relatos de que mulheres se sentem constrangidas ao registrar denúncias de forma remota. “As informações que eu recebi são de que as vítimas têm constrangimento em falar nesse ambiente virtual. Então, nós vamos procurar atacar de todas as formas e com todo rigor a violência doméstica”, afirmou.
O governador também ressaltou que, embora o Estado atue na investigação dos crimes, muitos casos ocorram dentro do ambiente doméstico, o que dificulta a atuação preventiva. “Nós não deixamos nenhum caso sem ser elucidado. Infelizmente, a gente chega depois”, disse.
Como estratégia de longo prazo, Pivetta defendeu a ampliação de políticas públicas voltadas à autonomia feminina. Entre as medidas anunciadas está a criação de um gabinete de combate à violência doméstica, que deverá atuar de forma integrada com diferentes áreas do governo, incluindo assistência social, educação e segurança.
Além disso, ele citou programas que visam reduzir a vulnerabilidade das mulheres, como a destinação de parte das 60 mil moradias previstas pelo Estado para mulheres em situação de risco, especialmente aquelas sem renda ou moradia própria. O governador também mencionou a intenção de ampliar programas de qualificação profissional e incentivar a inserção de jovens mulheres no mercado de trabalho por meio de iniciativas de aprendizagem a partir dos 14 anos.
Outro ponto destacado foi o perfil dos autores de feminicídio. Segundo Pivetta, estudos realizados pelo governo indicam que parte significativa dos casos registrados nos últimos anos envolve pessoas que não são naturais de Mato Grosso e que se instalaram recentemente no Estado.
A confirmação da Delegacia da Mulher 24 horas em Várzea Grande ocorre em meio à pressão de autoridades locais e da sociedade civil, que há anos cobram uma estrutura permanente para atendimento às vítimas no município, que hoje depende de serviços concentrados em Cuiabá.


