Mercúrio no Garimpo Casa de Pedra segue sem desfecho e mantém caso em aberto

As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontaram indícios de utilização irregular de mercúrio na extração de ouro

O caso envolvendo o uso de mercúrio em atividades de garimpo na região conhecida como Casa de Pedra, em Mato Grosso, segue sem um desfecho definitivo e continua gerando repercussões no campo ambiental, jurídico e político.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontaram indícios de utilização irregular de mercúrio na extração de ouro — prática considerada ilegal e altamente poluente. O material, de uso controlado, é frequentemente associado a esquemas clandestinos de mineração, com impactos diretos sobre rios, fauna e populações humanas.

No centro das apurações, aparece o nome do empresário Luís Antônio Taveira Mendes, ligado a empresas que atuam na região. Ele foi alvo de investigação federal por suposta aquisição e uso de mercúrio fora dos parâmetros legais. As denúncias também mencionam a atuação em áreas relacionadas à estrutura conhecida como Casa de Pedra, na região do Coxipó do Ouro.

Apesar da gravidade dos indícios, o caso ainda não teve conclusão na esfera judicial. Não há confirmação pública de arquivamento definitivo nem de condenação, o que mantém o processo em uma zona de indefinição. Paralelamente, órgãos ambientais como o Ibama aplicaram sanções administrativas, incluindo multas por irregularidades na atividade mineral.

O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, não figura como investigado no caso, embora a repercussão política tenha sido inevitável em razão da relação familiar com um dos citados nas apurações.

Especialistas ouvidos por reportagens anteriores destacam que o uso de mercúrio no garimpo segue como um dos principais desafios ambientais do país, especialmente em regiões de expansão mineral. A substância, ao ser liberada no meio ambiente, pode causar contaminação duradoura em cursos d’água e entrar na cadeia alimentar, afetando diretamente a saúde humana.

Enquanto o processo não chega a um desfecho, o episódio da Casa de Pedra permanece como símbolo de um problema maior: a dificuldade de controle sobre práticas ilegais no setor mineral e os limites da responsabilização em casos de impacto ambiental.

Sem decisão final, o “caso do mercúrio” segue vivo — tanto nos autos quanto no debate público.