TCE identifica superfaturamento de 58% e abre investigação em prefeitura de MT

Auditoria aponta possível prejuízo de mais de R$ 605 mil em contrato de software; caso será encaminhado ao Ministério Público

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) determinou a abertura de uma Tomada de Contas Especial após identificar um possível superfaturamento de 58,57% em um contrato firmado pela Prefeitura de Mirassol D’Oeste para prestação de serviços de software de gestão pública.

A decisão foi publicada no Diário Oficial do órgão e faz parte de uma representação que apura supostas irregularidades em contratos e processos licitatórios envolvendo a atual administração municipal e empresas ligadas ao chamado Grupo Fassil.

Segundo a auditoria técnica do TCE, os valores pagos no Contrato nº 105/2022 ficaram significativamente acima da média praticada por outros municípios de Mato Grosso em serviços semelhantes. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 605.094,01.

O relator do processo, conselheiro Guilherme Maluf, afirmou que ainda não há elementos suficientes para determinar a devolução imediata dos valores, mas destacou a necessidade de aprofundar a apuração para confirmar o dano e identificar os responsáveis.

“Nessa hipótese, constato que o procedimento adequado é a instauração de Tomada de Contas Especial”, destacou o conselheiro em seu voto.

Além do suposto superfaturamento, o processo também analisava suspeitas de fraude em licitações realizadas entre 2017 e 2020, durante a gestão anterior do município. A equipe técnica havia apontado indícios de possível conluio entre as empresas Faspel, Fassil e Francisco Informática, integrantes do mesmo grupo econômico.

No entanto, essa acusação foi afastada pelo TCE. O entendimento foi de que a repetida participação das mesmas empresas em certames públicos, por si só, não comprova fraude sem evidências concretas de manipulação de propostas, restrição de competitividade ou divisão irregular de contratos.

A defesa do prefeito Hector Alvares (União) e da empresa contratada sustentou que o contrato não atendia apenas à prefeitura, mas também à Câmara Municipal, ao sistema de abastecimento de água, ao fundo previdenciário e ao hospital municipal, além de incluir integração de sistemas, suporte técnico e treinamento.

Mesmo com as justificativas apresentadas, o Ministério Público de Contas e a área técnica mantiveram o entendimento de que há fortes indícios de sobrepreço.

Com isso, além da Tomada de Contas Especial, o TCE também determinou o envio de cópia integral do processo ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que poderá apurar eventual prática de improbidade administrativa ou crime contra a administração pública.