PF apreende 30 kg de dinheiro com servidor em operação contra corrupção no Porto do Rio

Esquema investigado envolve suspeita de propinas milionárias, fraudes em importações e afastamento de 25 servidores públicos

Uma grande operação da Polícia Federal (PF), em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF), revelou um suposto esquema de corrupção na alfândega do Porto do Rio de Janeiro e resultou na apreensão de cerca de 30 quilos de dinheiro em espécie com um dos servidores investigados.

A ação, batizada de Operação Mare Liberum, foi deflagrada nesta terça-feira (28) e cumpriu 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Vitória, no Espírito Santo. Além disso, a Justiça determinou o afastamento de 25 servidores públicos, entre eles 17 auditores fiscais e oito analistas tributários da Receita Federal.

Segundo as investigações, o grupo atuava de forma organizada para facilitar a liberação irregular de mercadorias importadas mediante pagamento de propina. O esquema envolveria servidores públicos, despachantes aduaneiros e empresários, que manipulavam processos de fiscalização e favoreciam empresas privadas em troca de vantagens financeiras.

Durante as diligências, um dos alvos chamou a atenção dos investigadores ao ser encontrado com aproximadamente 30 quilos de dinheiro em espécie. A quantia reforçou as suspeitas de recebimento de propinas dentro da estrutura investigada.

De acordo com a Receita Federal, foram identificadas quase 17 mil Declarações de Importação com indícios de irregularidades entre julho de 2021 e março de 2026. As operações suspeitas envolvem cerca de R$ 86,6 bilhões em mercadorias, com prejuízo estimado superior a R$ 500 milhões aos cofres públicos.

As investigações apontam que havia divergências entre os produtos declarados e os efetivamente importados, além da supressão de tributos e da liberação indevida de cargas em canais de fiscalização mais rigorosos.

Outro foco da apuração envolve fraudes no setor de óleo e gás, com uso irregular do regime de admissão temporária, além de pagamentos ilícitos feitos por operadores portuários para obtenção de benefícios indevidos.

Além dos afastamentos, a Justiça também determinou restrições contra nove despachantes aduaneiros e o bloqueio de bens dos investigados.

Os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção, organização criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro.

A Operação Mare Liberum é considerada uma das maiores ações da Corregedoria da Receita Federal no combate à corrupção aduaneira no país e reforça o cerco das autoridades contra esquemas ilícitos que afetam diretamente a arrecadação federal e a fiscalização do comércio exterior.