
O governo federal deve anunciar nos próximos dias uma nova estratégia para enfrentar o alto nível de endividamento no país: permitir que trabalhadores utilizem parte do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar dívidas. A medida, segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, prevê a liberação de até 20% do valor disponível nas contas, com potencial de movimentar cerca de R$ 4,5 bilhões.
A proposta deve beneficiar trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos, cerca de R$ 8.000 mensais. “O uso dele para famílias de uma renda de até 5 salários mínimos e que estejam endividadas poderá usar parcialmente o fundo de garantia para quitação de dívida”, explicou o ministro.
FGTS para quitar débitos
De acordo com o ministro, o uso do FGTS será condicionado à renegociação prévia das dívidas com instituições financeiras. Após o acordo e autorização do trabalhador, o valor será transferido diretamente ao banco credor pela Caixa Econômica Federal, garantindo que os recursos sejam utilizados exclusivamente para quitar os débitos.A liberação deve ocorrer por tempo limitado. Marinho afirmou que a medida não compromete financeiramente o fundo, que possui patrimônio superior a R$ 700 bilhões.
Além disso, o ministro rebateu críticas sobre o aumento do endividamento, afirmando que o problema não é recente. “É uma situação que vem se arrastando, não começou agora. O presidente Lula pediu que pensássemos em conjunto em medidas, porque precisamos manter os empregos e abrir novos mercados”, afirmou.
A expectativa é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comente sobre programa em sua agenda presidencial amanhã (30) e que o anúncio oficial ocorra já na próxima segunda-feira (4).
Segundo Marinho, o plano será apresentado em etapas: primeiro, com foco na reorganização das dívidas de famílias e empresas; em seguida, com medidas voltadas à ampliação do crédito para investimentos.


