EUA pressionam Irã com bloqueio naval mas presidente iraniano diz que medida está 'fadada ao fracasso'; tensão faz petróleo disparar

Washington articula coalizão para o Estreito de Ormuz e avalia novas ações militares; Teerã diz que bloqueio naval “está condenado ao fracasso”

A escalada entre Estados Unidos e Irã aumentou com a avaliação do governo de Donald Trump sobre novas operações militares e uma coalizão internacional para controlar o Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo. Em resposta, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian classificou o bloqueio naval americano como ilegal e ineficaz. O aumento da tensão já impacta os mercados, com o preço do petróleo em forte alta, enquanto aliados e potências como a Rússia, de Vladimir Putin, alertam para consequências globais de uma possível intensificação do conflito.

Esses são os últimos acontecimentos da guerra no Oriente Médio organizados pelo EXTRA:

  • Bloqueio dos EUA ao Irã está ‘condenado ao fracasso’, diz presidente iraniano

 

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos seus portos causará perturbações no Golfo, mas não conseguirá alcançar seu objetivo.

— Qualquer tentativa de impor um bloqueio marítimo ou restrições é contrária ao direito internacional (...) e está fadada ao fracasso — disse Pezeshkian em um comunicado.

 

  • Washington estuda novas operações contra Irã, segundo Axios

 

Segundo o veículo Axios, que cita fontes próximas ao assunto, o presidente Donald Trump será informado nesta quinta-feira sobre possíveis novas operações militares contra o Irã.

Essas operações incluiriam uma onda de bombardeios contra infraestruturas e a possibilidade de assumir o controle do Estreito de Ormuz, talvez com a participação de forças terrestres.

 

  • Bloqueio é "altamente eficaz", diz exército dos EUA

 

Ao todo, até o momento, 42 embarcações que tentavam "violar o bloqueio" dos Estados Unidos aos portos iranianos foram interceptadas e 41 petroleiros não conseguiram deixar a República Islâmica, afirmou o almirante Brad Cooper, comandante americano para o Oriente Médio, enfatizando que o cerco naval imposto por Washington é "altamente eficaz".

 

  • Washington não descarta ideia de uma coalizão para Ormuz

 

O governo dos Estados Unidos solicitou às suas embaixadas que tentem persuadir aliados a aderir a uma coalizão internacional encarregada de garantir a segurança no Estreito de Ormuz, informou o Wall Street Journal nesta quinta-feira.

 

Citando um telegrama do Departamento de Estado, o jornal relata a existência de uma proposta batizada de "Mecanismo de Liberdade Marítima", segundo a qual uma coalizão liderada pelos EUA compartilharia informações de inteligência, coordenaria ações diplomáticas e imporia sanções.

 

  • Preços do petróleo disparam

 

Os preços do petróleo dispararam mais uma vez nesta quinta-feira, com o Brent do Mar do Norte subindo 7,5% e chegando a ultrapassar os US$ 126 por barril na Ásia, em meio à perspectiva de um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz.

Por volta das 06h30 GMT (03h30 em Brasília), o preço do West Texas Intermediate (WTI), a referência para o mercado americano, subiu 3,13%, atingindo US$ 110,23 por barril.

No mesmo horário, o Brent do Mar do Norte, a referência internacional, avançou 5,39%, situando-se em US$ 124,39 por barril.

 

  • Trump avalia redução das forças americanas na Alemanha

 

Donald Trump afirmou na quarta-feira que considera reduzir as forças armadas dos EUA mobilizadas na Alemanha, após conversas tensas com o chefe de governo do país a respeito do conflito no Irã.

"Uma decisão será tomada muito em breve", escreveu o magnata republicano em sua plataforma Truth Social, depois que Friedrich Merz afirmou que "os americanos visivelmente não têm nenhuma estratégia" em relação ao Irã.

 

 

  • Guarda Revolucionária "não tem lugar" no Canadá

 

A Guarda Revolucionária, exército ideológico de Teerã, "não tem lugar" no Canadá, afirmou Ottawa na última quarta-feira, após dirigentes da Federação Iraniana de Futebol cancelarem sua participação em um congresso da Fifa, alegando "insultos" por parte da polícia de imigração canadense.

Segundo a mídia iraniana, o presidente e o secretário-geral da federação deixaram o Canadá devido ao comportamento insultuoso da polícia de imigração em sua chegada ao aeroporto de Toronto.

 

  • Hegseth na mira dos congressistas americanos

 

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, enfrentou duras críticas de congressistas democratas na quarta-feira, em sua primeira aparição parlamentar desde o início da guerra no Irã, que ele estimou ter custado cerca de 25 bilhões de dólares até o momento.

 

  • Putin adverte Trump contra retomada de hostilidades no Oriente Médio

 

O presidente russo, Vladimir Putin, alertou Donald Trump em um telefonema sobre as "consequências inevitáveis e extremamente prejudiciais” não apenas para o Irã e seus vizinhos, “mas também para toda a comunidade internacional" que uma nova ação militar conjunta dos EUA e de Israel contra o Irã teria, disse seu assessor diplomático, Yuri Ushakov.