
O governo da Argentina anunciou nesta quinta-feira (30), em publicação no Diário Oficial, que aumentará parcialmente os impostos sobre combustíveis a partir de maio. A decisão ocorre em meio à pressão dos preços internacionais do petróleo, que avançaram após o início da guerra no Irã.
A medida chega em um momento de alta já sentida pelos consumidores argentinos. Desde fevereiro, quando começou o conflito, os preços da gasolina no país acumulavam aumento de 20%, em um cenário de forte pressão sobre o setor de transportes e sobre a inflação.
Governo da Argentina eleva impostos em meio à alta do petróleo
O aumento parcial dos impostos sobre combustíveis foi anunciado pouco depois de a YPF, estatal argentina de energia, informar que manteria os preços da gasolina estáveis nos postos por 45 dias. A decisão da companhia havia sido comunicada no início do mês.O CEO da YPF, Horacio Marin, afirmou em entrevista à TV La Nación que os preços seriam mantidos aproximadamente constantes nesse período. Ele disse que, mesmo com alta ou queda do Brent, a gasolina seguiria aproximadamente estável por 45 dias.
A pressão internacional, no entanto, permanece forte. O petróleo tipo Brent, referência global, acumula alta superior a 62% desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Na véspera do anúncio, o barril encerrou a sessão cotado a US$ 118,03. Esse foi o maior patamar registrado em quase quatro anos, reforçando o peso do petróleo sobre os custos de combustíveis.
Combustíveis já pressionam a inflação
A alta dos combustíveis já aparece nos indicadores de preços da Argentina. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos mostram que o Índice de Preços ao Consumidor subiu 3,4% em março.
O resultado foi puxado principalmente pelos setores de educação, com avanço de 12,1%, e transporte, com alta de 4,1%. A variação mensal também representou aceleração em relação aos 2,9% registrados em fevereiro.
O índice de março marcou o maior nível em um ano. No acumulado de 12 meses até março, a inflação ficou em 32,6%, abaixo dos 33,1% observados no mês anterior.
Ajuste econômico avança no país
A decisão do governo da Argentina ocorre enquanto o país atravessa uma ampla reforma econômica. Desde a posse, em dezembro de 2023, o presidente Javier Milei paralisou obras federais e interrompeu repasses de recursos aos estados.
O governo também retirou subsídios das tarifas de água, gás, energia elétrica, transporte público e outros serviços essenciais. Essas medidas provocaram aumento expressivo nos preços ao consumidor.
A pobreza se intensificou no primeiro semestre de 2024, chegando a 52,9% da população. No segundo semestre de 2025, o percentual caiu para 28,2%, menor nível em sete anos.
Ao mesmo tempo, Milei registrou uma sequência de superávits fiscais, quando a arrecadação supera os gastos. Esse movimento ajudou a recuperar a confiança de parte dos investidores.
Desde o ano passado, o governo e o Banco Central da Argentina adotaram medidas monetárias, fiscais e cambiais para ampliar a entrada de dólares no país. O objetivo é cumprir o acordo com o Fundo Monetário Internacional e apoiar a recuperação econômica.


