Nova liderança boliviana mira modelo de Mato Grosso e projeta transformação em Santa Cruz

Governador Otaviano Pivetta e o governador do departamento de Santa Cruz Juan Pablo Velasco durante encontro no Palácio Paiaguás em Cuiabá

A ascensão de  ao governo de Santa Cruz reposicionou o debate político na Bolívia e acendeu um novo eixo de comparação regional: o modelo de desenvolvimento adotado no estado brasileiro de Mato Grosso. Jovem, oriundo do setor tecnológico e com discurso voltado à eficiência administrativa, Velasco passou a defender publicamente a adaptação de práticas que ajudaram a transformar o Centro-Oeste brasileiro em uma potência do agronegócio.

Santa Cruz, o departamento mais rico da Bolívia, já concentra parte significativa da produção agrícola do país. Ainda assim, enfrenta gargalos históricos em infraestrutura, logística e gestão pública. É nesse contexto que Velasco aponta para experiências brasileiras como referência — especialmente aquelas associadas ao avanço produtivo e à organização administrativa em Mato Grosso.


Otaviano Pivetta e Juan Pablo, o popular JP são aplaudidos durante encontro.

Nos bastidores políticos e empresariais, o governador boliviano tem citado nomes ligados a esse modelo, como o governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta e o empresário Eraí Scheffer, figura influente no agronegócio regional. Ambos são associados a uma visão de gestão que combina expansão agrícola em larga escala, investimento em tecnologia e integração com mercados internacionais.


O produtor Erai Scheffer recebe o governador boliviano no restaurante do Grupo Bom Futuro

A proposta de Velasco passa por uma agenda pragmática: modernização da máquina pública, estímulo à produção em grande escala, atração de investimentos privados e melhoria da infraestrutura logística — especialmente no escoamento de grãos. A ideia central é replicar, com adaptações, um modelo que transformou Mato Grosso em um dos maiores produtores agrícolas do mundo.


A boliviana Catalina Mancilla Ortiz, funcionária do Grupo Bom Futuro cumprimenta o governador JP Velasco.

Analistas veem na iniciativa uma tentativa de reposicionar Santa Cruz como protagonista econômico no cenário sul-americano. Ao mesmo tempo, destacam que a transposição de modelos enfrenta obstáculos relevantes. A Bolívia possui estrutura institucional distinta, maior presença do Estado em setores estratégicos e um histórico de tensões políticas entre regiões.


Pose histórica entre brasileiros e bolivianos na Bom Futuro.


Outro desafio está no próprio capital político de Velasco. Apesar da vitória expressiva nas urnas, sua liderança ainda está em consolidação no plano nacional. A aposta em um modelo externo pode fortalecer sua imagem como gestor inovador, mas também o expõe a críticas de setores mais nacionalistas e ligados à tradição política boliviana.


Erai com a bandeira da Bolívia e Juan Pablo com a bandeira do Brasil. União entre dois povos através da agricultura.

Ainda assim, o movimento revela uma inflexão importante: a emergência de uma nova geração de lideranças que busca menos alinhamento ideológico e mais resultados econômicos concretos. Nesse cenário, Santa Cruz pode se tornar um laboratório de políticas inspiradas em experiências regionais bem-sucedidas.


Erai um dos maiores produtores de soja do mundo e Juan Pablo a caminho de Lucas do Rio Verde.

Se conseguir equilibrar adaptação local e eficiência administrativa, Juan Pablo Velasco poderá não apenas consolidar sua gestão, mas também redesenhar o papel da Bolívia no mapa produtivo da América do Sul.