
O drama vivido pelo cuiabano Adilson Francisco Sampaio Pontes, 61 anos, escancara uma realidade dolorosa e revoltante enfrentada diariamente por milhares de famílias que dependem da saúde pública em Mato Grosso. Diabético, Adilson entrou no Hospital Municipal de Cuiabá com uma pequena ferida abaixo do dedão do pé direito. O que parecia simples se transformou em um pesadelo de quase dois meses de internação, sofrimento e desespero.
Segundo relatos da família, a ferida evoluiu rapidamente. Dia após dia, a infecção avançava de forma assustadora, enquanto crescia também o medo de perder o pé inteiro. Sem acesso rápido a um tratamento eficaz e diante da fragilidade da rede pública para atender pacientes diabéticos em estado grave, a situação chegou ao limite.
Veio então a decisão mais cruel: a amputação
A “motosserra” da medicina pública entrou em ação. O pé foi amputado. Mais uma mutilação que poderia simbolizar apenas um procedimento médico, mas que para o paciente representa uma sentença de dor física, emocional e social. Um trabalhador cuiabano deixando o hospital sem parte do corpo, sem respostas e sem dignidade.
Mas o absurdo não terminou na sala cirúrgica
Após receber alta hospitalar, Adilson e seus familiares se depararam com outro choque: o prontuário médico completo do tratamento não estava disponível. Documento essencial para buscar direitos constitucionais, benefícios e até acionar seguros, simplesmente não foi entregue.
A resposta recebida pela família revolta qualquer cidadão:
“Será enviado por e-mail em 40 dias.”
Quarenta dias
Depois de dois meses internado, depois da amputação, depois do sofrimento extremo, o paciente pobre ainda precisa esperar mais de um mês para ter acesso ao próprio histórico médico. Uma burocracia fria, desumana e distante da realidade de quem já saiu do hospital mutilado e emocionalmente devastado.
O caso reacende uma discussão grave sobre o colapso silencioso da saúde pública em Cuiabá e Mato Grosso. Enquanto discursos políticos falam em investimentos milionários, modernização e eficiência administrativa, pacientes seguem enfrentando corredores lotados, demora em atendimentos, falta de estrutura e tratamentos que muitas vezes chegam tarde demais.
Especialistas alertam que pacientes diabéticos necessitam de acompanhamento rigoroso e atendimento rápido para evitar amputações. Quando há demora, falha de assistência ou deficiência no acompanhamento, pequenas feridas podem se transformar em tragédias irreversíveis — exatamente como ocorreu com Adilson.
A pergunta que fica é inevitável:
Até quando o pobre cuiabano continuará pagando com o próprio corpo pela precariedade do sistema público?
Porque para quem depende exclusivamente do SUS, a sensação é cada vez mais amarga: a doença avança mais rápido do que o Estado consegue agir.




Resposta do HMC depois de 40 dias
Secretaria Municipal de Saude Prontuario HMC
Prezado(a) Senhor (a),
Em atenção à sua solicitação de prontuário médico, informamos que, embora o prazo inicialmente previsto já tenha sido ultrapassado, o documento ainda se encontra em fase de finalização.
Ressaltamos que as providências necessárias continuam em andamento e estamos empenhados em concluir a disponibilização o mais breve possível. Pedimos desculpas pelo atraso e assim que o prontuário estiver pronto, o enviaremos com a máxima urgência.


