Na fronteira do sonho: Vila Bela acelera rumo ao Pacífico e já projeta distrito industrial no coração do Vale do Guaporé

Dr André durante pronunciamento entre Brasil e Bolívia no palácio paiaguás.

A histórica Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital de Mato Grosso, começa a enxergar um novo capítulo de sua trajetória secular. No comando da cidade, o lendário prefeito André Bringsken acredita que o município poderá se transformar em uma das mais estratégicas portas comerciais do Brasil rumo ao Oceano Pacífico.

Em entrevista ao site Navegador MT, Dr. André não escondeu o entusiasmo com o avanço da rodovia bioceânica e com a aproximação política entre Mato Grosso e a Bolívia. Segundo ele, o projeto poderá mudar para sempre o destino econômico da região do Vale do Guaporé.

Ao citar o vice-governador Otaviano Pivetta como um dos maiores “visionários e desbravadores” da atual política mato-grossense, o prefeito afirmou esperar do governo estadual apoio decisivo para preparar Vila Bela para o impacto econômico que poderá surgir com a integração continental.


O sonho do corredor bioceanico já começou em dois trechos de Vila Bela, anuncia o prefeito Dr André Bringsken.


“Estamos diante de um momento histórico”, resumiu.

Para Dr. André, o maior desafio agora é preparar a cidade para a futura transformação urbana provocada pela ligação comercial entre Brasil e Bolívia, abrindo caminho até os portos do Chile e do Pacífico. A expectativa é que Vila Bela deixe de ser apenas uma cidade de fronteira para se tornar um eixo logístico e industrial estratégico do agronegócio brasileiro.

O prefeito destaca que a distância entre Vila Bela e o porto de Arica, no Chile, é de aproximadamente 1.800 quilômetros — rota considerada muito mais curta e competitiva para o mercado asiático, principalmente a China, maior compradora de commodities brasileiras.

Segundo ele, a nova rota poderá reduzir drasticamente o tempo e o custo do transporte internacional.

“A bioceânica poderá diminuir em até 40 dias o tempo de frete entre Mato Grosso e a China”, afirmou.

O impacto econômico, segundo Dr. André, poderá atingir diretamente setores como açúcar, fertilizantes, mineração e logística internacional.

Ele cita como exemplo a produção da Usinas Itamarati, que hoje ainda depende de longas rotas portuárias tradicionais para exportação. Com a saída pelo Pacífico, o açúcar mato-grossense ganharia competitividade no mercado asiático e andino.


Vila Bela deixará de ser fim de linha e se transformara num grande corredor bioceanico.

Outro exemplo mencionado é o sal boliviano, que atualmente possui pouco valor comercial em sua origem, mas que poderia disputar espaço no mercado brasileiro devido à proximidade logística com Mato Grosso, superando a desvantagem da longa distância do sal produzido em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

A ureia boliviana, muito utilizada pelo agronegócio, também aparece como aposta estratégica. O produto poderia chegar ao mercado brasileiro com preços inferiores aos praticados atualmente, fortalecendo a competitividade agrícola da região.


Além de terras férteis, a " Bela Vila " é cortada pelo magestoso rio Guaporé com fartura de peixes e dezenas de cachoeiras na Serra Ricardo Franco.


Mas o sonho vilabelense não para na estrada.

Depois do encontro entre o governador eleito de Santa Cruz de la Sierra, Juan Pablo Velasco, conhecido como J.P., e Otaviano Pivetta, o telefone da prefeitura começou a tocar com frequência. Segundo Dr. André, empresários de diferentes setores já buscam informações sobre incentivos fiscais e a possível implantação de um distrito industrial em Vila Bela.

A cidade, conhecida por sua força cultural quilombola, agora começa a mirar um novo horizonte econômico.


Hotel Bela Vila oferece conforto e tranquilidade na entrada da cidade.


Enquanto as máquinas avançam sobre a estrada que promete ligar o coração da América do Sul ao Pacífico, cresce entre os moradores a sensação de que o antigo sonho de integração continental finalmente começa a sair do papel.

E no centro desse projeto está Vila Bela da Santíssima Trindade: a velha capital que se recusa a envelhecer e quer voltar ao mapa do desenvolvimento brasileiro como símbolo de progresso, integração e sustentabilidade ambiental no extremo oeste de Mato Grosso.