
A histórica cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital de Mato Grosso, já começa a viver uma nova fase de desenvolvimento com o avanço das obras da rota bioceânica em dois trechos estratégicos da região. Porém, ao mesmo tempo em que sonha com integração econômica e crescimento, o município enfrenta um dos maiores desafios fundiários de sua história recente.
Segundo o prefeito André Bringsken, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) mantém desde 2015 um pedido de bloqueio de aproximadamente 2 milhões de hectares na região oeste de Mato Grosso. Desse total, cerca de 1,5 milhão de hectares atingiriam diretamente Vila Bela, enquanto o restante estaria distribuído entre os municípios vizinhos de Pontes e Lacerda e Porto Esperidião. O processo teria sido renovado novamente em 2022.

Dr André participa de audiência com representantes de Mato Grosso da câmara e senado.
Para o prefeito, a situação é considerada “gravíssima” e necessita de solução urgente. André Bringsken afirma que na região não existem aldeias indígenas organizadas, mas sim comunidades do povo chiquitano, que, segundo ele, desejam regularização fundiária e independência econômica.
“Eles querem terras tituladas para trabalhar e produzir, não ficar reféns da Funai”, afirmou o gestor municipal durante agenda em Brasília.
O prefeito destacou ainda que, dentro da área questionada, já existem assentamentos consolidados há anos, habitados por famílias que sobrevivem com dificuldades e praticamente sem assistência governamental. Na avaliação de André Bringsken, os moradores da região são “verdadeiros guerreiros”, enfrentando abandono e limitações estruturais em uma das áreas mais isoladas do estado.
Durante participação na Marcha dos Prefeitos, em Brasília, o chefe do Executivo municipal informou ter levado o problema às autoridades federais e à bancada mato-grossense, buscando apoio político para destravar a questão fundiária e garantir segurança jurídica para produtores e moradores da região.
Apesar das dificuldades, o prefeito voltou otimista da capital federal após uma série de reuniões em busca de investimentos para o município. Entre os avanços anunciados está um convênio de aproximadamente R$ 7 milhões, via Ministério das Cidades, destinado à implantação de fibra óptica em todos os prédios públicos municipais.
Outro projeto em andamento prevê cerca de R$ 6 milhões para implantação de um programa de reciclagem e tratamento de resíduos sólidos em Vila Bela.
Na área da saúde pública, o município também deverá receber nos próximos dias um micro-ônibus destinado ao transporte de pacientes que realizam tratamento de hemodiálise fora da cidade.
Ao final da agenda em Brasília, André Bringsken ressaltou a parceria do governo federal com o município.


