
O QUE FOI?
A Segunda Guerra Mundial foi o conflito global armado mais longo e destrutivo de todos os tempos, gerando um impacto profundo na História da Humanidade, como nunca tinha ocorrido.
++ O Holocausto em dados: 15% das vítimas foram mortas em apenas 6 campos
QUANTAS PESSOAS MORRERAM?
O balanço do número de óbitos é a prova desse horror: morreram 15 milhões de soldados e 45 milhões de civis a mais do que na Primeira Guerra Mundial, deixando também entre quatro e seis vezes mais combatentes feridos (contando só aqueles que receberam socorro médico). O número exato de mortos nunca se saberá, inclusive pela alta quantidade dos desaparecidos, assim considerados até hoje, sendo que não todos os decessos foram por ações diretas do conflito. Nesse período, também houve pessoas, nos países combatentes, que faleceram como teriam falecido em tempos de paz, devido a doenças, desastres naturais e acidentes, entre outros fatores; fora as quantidades falsas que subministraram algumas nações tentando dissimular seu insucesso.
Não obstante, há coincidência de que a União Soviética teve aproximadamente metade do total de soldados mortos e metade do total de civis mortos; e a China, considerando a soma de uniformados e civis, perdeu quase um quarto desse todo, porém, em seu caso, se incluem as baixas que sofreu desde 1937 – dois anos antes e a mais do que as restantes nações –, porque ela já travava a Segunda Guerra Sino-japonesa (os mortos nipônicos dessa guerra parecem não estar misturados com os da Segunda Guerra Mundial). Isso significa que, entre todos os outros países, há que encontrar os 25% restantes de baixas, tanto militares quanto civis. A URSS pagou todos os maiores preços: perdeu 30% da riqueza nacional e 20% da população: foi quem teve mais mulheres e crianças mortas.
QUANTO CUSTOU?
O impacto econômico da Segunda Guerra Mundial também confirma sua incomparabilidade com a anterior: em média dilapidaram-se 27 trilhões de dólares, contra menos de 5 trilhões de dólares despendidos na Primeira Guerra Mundial (valores já corrigidos para os dias atuais e ajustados à inflação; na época essas cifras representavam US$ 2 trilhões e US$ 370 bilhões, respectivamente, de acordo com estimativa do Bureau of Labor Statistics dos EUA). O conflito global, que durou seis anos, consumiu cerca de oito vezes o PIB mundial de 1945, último ano de guerra. Quem mais perdeu nesse aspecto foi a Alemanha, que ainda estava pagando o custo prometido no Art. 231 de sua rendição na Primeira Guerra Mundial, na qual foi a grande perdedora; para ela, a Segunda Guerra custou US$ 1 trilhão de hoje, e a derrota, na totalidade, muito mais pelas indenizações que mais tarde teve de quitar.
O segundo maior perdedor – financeiramente falando – foi o Japão, que exauriu 30% de sua riqueza nacional, sem contabilizar o custo posterior de reconstrução e reivindicação feito com empréstimos internacionais, devolvidos com juros variáveis entre 2,5% e 3,5% ao ano (os juros do Plano Marshall sempre foram mais baixos do que o normal). A Itália teve perdas estimadas em US$ 100 bilhões atuais, que também resolveu com esse mesmo plano idealizado pelo governo norte-americano. Como se percebe, as três potências do Eixo foram as que faliram na tentativa de conquistar o mundo. Das nações vítimas, a mais prejudicada foi a Polônia, que viu virarem escombros 60% da sua riqueza nacional e acabou devastada.
QUANDO ACONTECEU?
Há exatas oito longas décadas, tendo ocupado diariamente, por seis anos, a primeira página dos 35 mil jornais que se publicavam na época no mundo todo… Para a história registrada pelos cronistas de guerra ocidentais, o conflito ocorreu entre 1º de setembro de 1939 e 15 de agosto de 1945, ou seja, durante 2.194 dias, um ano e meio a mais que a Primeira Guerra Mundial (4 anos, 3 meses e 14 dias). Para muitos historiadores orientais, ela começou dois anos antes, em 1937, quando o Japão invadiu a China, no início apoiada logisticamente pela URSS e no final com suporte dos EUA; aqui nestas páginas as referências são sempre focadas a partir de 1939 e, quando existe algum desvio para dados de 1937 e 1938, se esclarece tal situação.
ONDE ACONTECEU?
Antes de o conflito ser declarado formalmente como “Segunda Guerra Mundial”, a Alemanha deu pistas de suas gulosas intenções, anexando a seu território a Áustria e parte da Tchecoslováquia; enquanto sua aliada europeia Itália já havia ocupado o Chifre da África e a Albânia, somando-as a seus outros domínios norte-africanos (Líbia, parte da Tunísia e ilhas do Mediterrâneo); na Ásia, o Japão voltava a invadir a China. No entanto, ninguém se preocupou, e o estopim para a deflagração da guerra em ocidente se deu oficialmente no Leste Europeu, quando a Alemanha e a URSS – numa terceira posição por então, mais próxima da Alemanha do que dos Aliados – ocuparam a Polônia (os nazistas iriam avançando em direção ao oeste e à Escandinávia).
Enquanto isso, na Ásia, o Japão criava, em território da China, Estados-fantoches, conservava seus Mandatos sobre meia dúzia de arquipélagos no Oceano Pacífico e continuava seu domínio sobre a Coreia e Taiwan, conquistados antes da Primeira Guerra Mundial. No entanto, outra vez, ninguém se preocupou o suficiente com esse expansionismo japonês. Os alemães avançando do Leste para o Oeste europeu, os italianos cruzando o Adriático, e os japoneses babando pela China, enquanto olhavam o restante da Ásia, deram pistas para o que pronto eclodiria, afetando o mundo todo. Era uma leitura fácil do futuro imediato, mas ninguém leu.
A União Soviética, por sua vez e após assinar um pacto de não-agressão mútua com a Alemanha, por conta própria atacava vizinhos menores (Finlândia e os Países Bálticos, entre outras áreas mais siberianas). O passo seguinte da investida expansionista dos agressivos europeus seriam os vizinhos mais próximos porque, além deles mesmos, interessavam suas colônias, repartidas pelo planeta inteiro, especialmente as da França e o Reino Unido. Em paralelo a isso, o Japão, que já agitava o Oriente com sua invasão a territórios chineses, iniciava sua campanha no Sudeste Asiático e no Pacífico, obrigando, assim, à intervenção defensiva dos países da Oceania e à participação ativa de Austrália e Nova Zelândia. A partir daí, só o continente latino-americano esteve livre de sangrentas batalhas – ainda que em seus mares tivesse havido algumas escaramuças –, porque o Canadá já tinha se solidarizado com os invadidos, e os Estados Unidos, neutrais no início, entrariam com tudo quando provocados pelo Japão.
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