
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu manter o bloqueio dos cartões de crédito do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, e negou pedidos para a liberação de sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e de seu passaporte. A decisão foi proferida no âmbito de uma ação de execução relacionada a uma dívida antiga, cuja cobrança tramita na Justiça há mais de 20 anos.
O caso envolve uma disputa judicial movida por uma empresa credora que busca receber valores devidos desde o início dos anos 2000. Após diversas tentativas frustradas de localizar bens e recursos para garantir o pagamento da dívida, a Justiça autorizou a adoção de medidas executivas consideradas atípicas, previstas no Código de Processo Civil.
Ao analisar o recurso apresentado pela defesa de Emanuel Pinheiro, os desembargadores entenderam que não havia elementos suficientes para justificar a devolução imediata dos documentos ou a revogação das restrições já impostas. A Corte avaliou que as medidas permanecem compatíveis com o objetivo de assegurar o cumprimento da obrigação financeira.
A decisão reforça o entendimento de que, em determinadas circunstâncias, o Poder Judiciário pode recorrer a mecanismos alternativos para pressionar devedores ao pagamento de débitos, especialmente quando os meios tradicionais de cobrança não produzem resultados efetivos.
Nos últimos anos, o uso de medidas como suspensão de CNH, apreensão de passaporte e restrições financeiras tem sido alvo de debates jurídicos em todo o país. O Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu a possibilidade de aplicação dessas medidas, desde que sejam observados critérios de proporcionalidade, razoabilidade e adequação ao caso concreto.
Com a decisão do TJMT, permanecem válidas as restrições determinadas no processo, enquanto a execução da dívida continua em andamento. Os credores seguem buscando a localização de patrimônio que possa ser utilizado para a quitação do débito.


