
A terceira idade está de cara nova. Um novo termo se popularizou para descrever a faixa etária acima dos 60: NOLT, que é uma abreviação para New Older Living Trend (Nova Tendência de Viver a Maturidade, em tradução livre).
Atualmente, no Brasil, esse grupo já ultrapassa a marca de 36 milhões de pessoas, segundo dados do 1º trimestre de 2026 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
E esse é um dos grupos etários que mais cresceram. No último Censo Demográfico, de 2022, 15,6% da população tinha 60 anos ou mais, uma alta de 56% em relação aos números de 2010, quando essa faixa representava somente 10,8% da população brasileira.
As projeções do IBGE indicam ainda que, em 2060, essa proporção será de 1 em cada 4 brasileiros, mais de 25% da população. Mas, mesmo antes disso, em 2040, o país já deve ter mais idosos do que crianças e adolescentes até os 14 anos.
Nas redes sociais, é defendido que o NOLT surge como uma resposta à visão etarista de que pessoas com mais idade não poderiam viver suas vidas com autonomia. Além disso, o termo representa uma alternativa ao que se espera do estereótipo de indivíduos acima dos 60.
A criação do termo NOLT veio de pessoas que não se identificavam com a própria idade, dado o que era esperado segundo o “roteiro social”: aposentadoria em casa, sem mais desejos, fazendo palavras cruzadas, crochê... Segundo os adeptos da terminologia, ela representa o direito de continuarem ativos e visíveis.
Em uma coluna recente no EXTRA, a terapeuta Regina Racco celebrou a nova tendência, dizendo que ela descreve “uma mudança profunda no comportamento das pessoas mais velhas”: “É um movimento de vida real que nasce quando a pessoa percebe que ainda tem curiosidade, ainda tem desejo, ainda tem humor, ainda quer viver experiências e definitivamente não quer ser tratada como alguém que ‘já acabou’”, descreveu.
Segundo ela, a “geração NOLT” cuida do corpo sem neurose, aprende coisas novas, questiona regras antigas e não aceita o “isso é da idade” como resposta automática às suas inquietações. “Essa geração não quer parecer jovem, quer continuar viva”, diz Regina Racco.
Por outro lado, porém, há quem critique o uso do termo. Em um artigo recente, o presidente do departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), regional São Paulo, Diego Félix Miguel, defendeu que, ao propor termos novos, buscando evitar as palavras “velho”, “velha” ou “pessoa idosa”, o idadismo, preconceito contra o idoso, é apenas reforçado.
Para ele, o uso de termos novos “passa a ideia de que a velhice, por si só, é algo vergonhoso ou que precisa ser ‘maquiada’”; silencia diferentes tipos de velhices, desconsiderando as formas de envelhecer que não seguem esse padrão de “não parecer velho”; e foca em discursos ligados a consumo e estética, em vez de políticas públicas voltadas à valorização da pessoa idosa.


