Após operação da PF, Wilson diz que bancos “roubaram” e “estupraram coletivamente” servidores de MT

Deputado cobra punição aos responsáveis e defende devolução dos valores descontados

A operação da Polícia Federal (PF), que cumpriu mandados de busca e apreensão contra um grupo econômico investigado por supostas fraudes em contratos de crédito consignado, repercutiu na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), nesta quarta-feira (15.07). Durante sessão plenária, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) afirmou que a investigação confirma denúncias feitas por ele da tribuna e acusou instituições financeiras de terem “roubado” servidores públicos estaduais.

Ao comentar a Operação Fugazi, o parlamentar parabenizou a Justiça Federal de Mato Grosso pela decisão que autorizou buscas em São Paulo e no Rio Grande do Sul e afirmou que a investigação atinge empresas que, segundo ele, vinham sendo denunciadas há anos.

“Quero parabenizar a Justiça Federal mato-grossense, que acaba de determinar busca e apreensão em bancos que vêm roubando há anos os servidores públicos de Mato Grosso. A Polícia Federal amanheceu na Faria Lima atrás do grupo Capital Consig, que nós cansamos de denunciar desta tribuna”, declarou.

Wilson destacou ainda que a ordem judicial foi expedida pela Justiça Federal em Cuiabá. “O detalhe é que a ordem judicial partiu aqui de Cuiabá. Foi um juiz federal de Cuiabá que determinou a busca e apreensão na Faria Lima”, ressaltou.

Na sequência, o deputado afirmou que milhares de servidores foram levados ao superendividamento por meio de contratos de crédito consignado e fez uma das declarações mais contundentes do pronunciamento.

“Estupraram coletivamente o servidor público de Mato Grosso. Primeiro ele foi levado de maneira fria e planejada a um superendividamento sem precedentes na história do serviço público estadual. Depois abriram a porteira para mais de 30 bancos e sociedades de crédito praticarem um estupro coletivo sobre os servidores”, disse.

Segundo Wilson, mais de 60 mil servidores teriam sido prejudicados por operações financeiras com juros que, conforme afirmou, variavam entre 4% e 6% ao mês.

“São mais de 60 mil servidores que foram abusados, enganados, ludibriados e estuprados por parte do sistema financeiro nacional”, pontuou.

O parlamentar também afirmou que muitos servidores deixaram de pagar despesas básicas em razão do comprometimento da renda com os empréstimos.

“São servidores que não conseguiram pagar a conta de energia, a conta de água, manter o filho ou o neto na universidade privada e pagar o plano de saúde”, acrescentou.

Ao encerrar o pronunciamento, Wilson disse esperar que as investigações resultem no ressarcimento dos prejuízos sofridos pelos servidores, citando decisões judiciais favoráveis em outros Estados.

“A Justiça tarda, mas chega. Esperamos que boa parte do que foi tirado dos bolsos dos servidores de Mato Grosso seja devolvida, como aconteceu no Amapá, Goiás, Amazonas, Minas Gerais e Rio Grande do Sul”, concluiu.

A Operação Fugazi foi deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (15.07), cerca de um ano e meio após as primeiras denúncias sobre supostas irregularidades no mercado de crédito consignado serem reveladas pelo . A investigação apura a atuação de um grupo econômico suspeito de fraudar operações de crédito consignado e cartão de crédito consignado contra servidores públicos, aposentados e pensionistas.

Por determinação da Justiça Federal de Mato Grosso, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, além do bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados. A Polícia Federal apura indícios de que contratos apresentados como cartão de crédito consignado funcionavam, na prática, como empréstimos consignados com juros mais elevados, dificultando a quitação das dívidas e ampliando o saldo devedor.

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