
A iniciativa é coordenada pela Sociedade Espanhola de Estudos para a Comunicação Fixa através do Estreito de Gibraltar (SECEGSA), vinculada ao Ministério dos Transportes e Mobilidade Sustentável da Espanha. O plano prevê um sistema ferroviário capaz de transportar tanto passageiros quanto cargas. Além dos trens convencionais, estão previstas composições adaptadas para embarcar automóveis, caminhões e motocicletas.
O projeto também prevê um sistema de segurança composto por três galerias paralelas. Duas delas serão destinadas à circulação dos trens de alta velocidade, enquanto uma terceira funcionará como corredor de emergência. Essa galeria central será interligada às demais por passagens distribuídas a cada 340 metros, permitindo evacuação e acesso rápido em caso de necessidade.
Em março deste ano, o governo espanhol autorizou um novo aporte de 1,73 milhão de euros para dar continuidade às análises técnicas. Com isso, os recursos destinados aos estudos desde 2022 chegaram a aproximadamente 9,61 milhões de euros. Os investimentos, porém, referem-se apenas às etapas de planejamento e avaliação da obra, que deverá exigir um orçamento muito superior caso seja efetivamente construída.
Embora o projeto seja discutido há décadas, a previsão mais otimista indica que a ligação só deverá entrar em operação entre 2035 e 2040. Documentos da SECEGSA mostram que apenas a perfuração da galeria exploratória pode levar até nove anos, tornando inviável a conclusão do túnel antes da Copa do Mundo de 2030, que será realizada por Espanha, Portugal e Marrocos.
Atualmente, a ligação entre os dois países depende do transporte marítimo. As rotas de ferry entre Algeciras ou Tarifa, na Espanha, e Tânger, no Marrocos, costumam levar entre 60 e 90 minutos, dependendo das condições da travessia e da embarcação utilizada.


