MT-199 chega à porta da Bolívia: cinco quilômetros de imprimação marcam novo capítulo da Rota Bioceânica

Momento histórico na região oeste de Mato Grosso, em Vila Bela. Imprimação da futura rota Bioceânica chega na porta da Bolívia.

Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) – A sexta-feira entrou para a história da região oeste de Mato Grosso. Depois de aproximadamente dois meses de intenso trabalho, a obra da MT-199 alcançou um marco histórico: os primeiros cinco quilômetros de imprimação asfáltica chegaram às proximidades de San Ignacio de Velasco, primeira cidade boliviana após a fronteira com o Brasil.


Placa indica início do país boliviano entre Vila Bela e San Ignácio de Velasco.

O avanço representa muito mais que uma etapa da engenharia. É a concretização de um sonho alimentado por gerações de vilabelenses que sempre acreditaram na integração de Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital de Mato Grosso, à futura Rota Bioceânica, transformando um município que por décadas foi considerado "fim de linha" em uma importante porta de entrada e saída para os mercados do Oceano Pacífico.


Placa do governo de Mato Grosso na entrada do Brasil no distrito do Grande Palmarito.

Os engenheiros Duílio Moraes Moretto e Alan Delon, juntamente com o encarregado-geral da obra, Rafael Campos, comemoraram a conclusão dos cinco quilômetros de imprimação. A partir de agora, a frente de serviço concentra esforços na execução da capa em Tratamento Superficial Duplo (TSD), composta por camadas de brita, ligante asfáltico, pedrisco e pó de brita, trabalho que deverá prosseguir durante todo o fim de semana.


Primeiros kilômetros de imprimação na chegada do Brasil e início da realização do maior sonho do povo fronteiriço.

Segundo o engenheiro Alan Delon, a empresa já iniciou um novo trecho de aproximadamente cinco quilômetros de terraplanagem e, nos próximos dias, realizará a imprimação da rotatória e do acesso à comunidade de Vila Miranda.


Assim começou a imprimação na porta da Bolívia.

"A obra está em ritmo acelerado porque precisamos aproveitar o período da seca na região e ganhar terreno", destacou.

Nilton e Benilson comandam o "burro preto"

Enquanto as máquinas avançam, dois profissionais desempenham uma das funções mais importantes da obra. O motorista Nilton Cézar Mororó Barbosa da Silva é responsável por conduzir o caminhão espargidor, conhecido entre os trabalhadores como "burro preto", mantendo velocidade constante e rigorosamente sobre a linha definida pela topografia, garantindo que o produto seja distribuído de forma uniforme.


Segunda perna da pista e o chão mudando de côr.

Na traseira do caminhão está o operador Benilson Rodrigues da Silva, responsável por controlar a aplicação do ligante asfáltico. É dele a missão de acompanhar a qualidade do serviço e abrir ou fechar, no momento exato, as torneiras que liberam o produto sobre a pista. O trabalho exige precisão absoluta e perfeita sintonia entre motorista e operador para que a imprimação ocorra sem falhas.


Burro preto a poucos metros da divisa entre Brasil e Bolívia e o sonho quase realizado.

"Não podemos errar", resumem os dois colaboradores.

Para a dupla, o salário é importante, mas o maior combustível continua sendo o orgulho pela profissão.

"Um bom salário é muito bom, mas, em primeiro lugar, vêm o profissionalismo e a paixão pelo que fazemos", afirmaram.

Um sonho que ganha forma

Com cinco quilômetros de imprimação concluídos às portas da Bolívia, a MT-199 dá mais um passo rumo à consolidação da futura Rota Bioceânica, um corredor estratégico que promete aproximar Mato Grosso dos portos do Pacífico e abrir novos caminhos para o desenvolvimento econômico da região.


Engenheiro Alan Delon é um dos responsáveis pela execução da histórica obra fronteiriça.

A conquista também simboliza a realização do sonho de muitas lideranças que acreditaram nesse projeto ao longo das últimas décadas, entre elas o ex-prefeito Joel Pereira (in memoriam), o prefeito Dr. André Bringsken, Pedrinho Lacerda e tantos outros que nunca deixaram de defender a ligação asfaltada entre Vila Bela da Santíssima Trindade e a Bolívia.


Nilton( esq) e Benilson são os responsáveis pela pintura e transformação da terra marrom em chão preto, sinal de que o progresso na fronteira vai andar no asfalto e adeus poeira e barro.

O que antes parecia um sonho distante agora começa a ganhar contornos de realidade.

O futuro passa por aqui.