
ma nova espécie de rã amazônica foi descoberta na região do Alto Juruá, no Acre, lar de florestas de várzea (que alagam sazonalmente) e cercada por terras indígenas do Rio Amônia.
A rã, encontrada durante expedições de pesquisadores brasileiros e estrangeiros em fragmentos de floresta próximos aos rios Moa e Crôa, no município de Cruzeiro do Sul, foi batizada de Adenomera varcena.
A descoberta foi publicada em maio na revista científica Ichthyology & Herpetology.
Segundo os pesquisadores, a espécie tem uma característica considerada inédita para o gênero Adenomera por ser natural de florestas que inundam periodicamente, a cerca de 169 metros de altitude.
A nova espécie pertence ao complexo de espécies Adenomera simonstuarti, um agrupamento que já havia revelado diferentes linhagens genéticas na Amazônia ocidental.
Com o novo estudo, de 2026, os pesquisadores usaram a técnica da taxonomia integrativa, que combina diferentes fontes de evidência em vez de depender de uma única característica, para estudar os dados de DNA, morfologia, padrões de coloração, vocalizações, distribuição geográfica e habitat da espécie.

Adenomera varcena. Créditos: CBioClima/divulgação
Um dos critérios de distinção de novos indivíduos é o canto produzido pelos machos durante a reprodução, que estabelece uma “digital sonora” para as espécies.
No caso de Adenomera varcena, os pesquisadores encontraram uma combinação de características que não havia sido registrada conjuntamente nas espécies próximas, como diferenças no tamanho corporal, no padrão de coloração e, principalmente, na vocalização.
A vocalização de Adenomera varcena é descrita como um canto curto, formado por uma única nota e sem pulsos. A espécie também apresenta uma taxa de repetição particularmente baixa. Outra característica acústica importante é que a frequência dominante do canto coincide sempre com o segundo harmônico, e não com a frequência fundamental.
Além disso, as espécies florestais amazônicas conhecidas do gênero Adenomera estão tradicionalmente associadas a florestas de terra firme, ambientes que não sofrem inundações sazonais provocadas pela elevação dos rios, ao contrário da Adenomera varcena, que sobrevive nas florestas anualmente inundadas do Alto Juruá.
Uma atualização da lista brasileira de anfíbios publicada em abril de 2026 contabilizou 1.251 espécies válidas no país. Desse número, 1.206 são anuros — sapos, rãs e pererecas —, 40 são cecílias e apenas cinco são salamandras.
As evidências reunidas até março de 2026 incorporavam 104 táxons e removiam 41 espécies em relação à versão anterior.
O material-tipo da nova espécie foi depositado em coleção científica e preservado na coleção de anfíbios do Centro de Coleções Taxonômicas da UFMG.


