Wellington lidera corrida ao Governo de MT, mas rejeição e obras colocam eleição diante de uma contradição

Dá Esq. Mário Covas, Dante de Oliveira, Antônio Joaquim, Welington e Vicente Vuolo discursando em Alto Araguaia no lançamento da Ferrovia Vicente Vuolo a quase 40 anos atrás.

A nova pesquisa Percent Brasil, divulgada nesta terça-feira (18) pelo Poder360, colocou mais uma vez o senador Wellington Fagundes (PL) na dianteira da corrida pelo Governo de Mato Grosso. O parlamentar aparece com 32% das intenções de voto no primeiro turno, contra 21% de Otaviano Pivetta (Republicanos) e 11% de Natasha Slhessarenko (PSD). Na espontânea, porém, a distância diminui: Wellington tem 10,6%, enquanto Pivetta aparece com 9,3%.


Ex governador Blairo Maggi e Otaviano Pivetta logo após inaugurar uma majestosa escola em Lucas do Verde onde educação e saúde sempre foram prioridades na gestão.

O levantamento ouviu 1.200 eleitores entre 7 e 10 de agosto, com margem de erro de 2,83 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MT-03154/2026, a pesquisa também mostra Wellington à frente em todos os cinco cenários de segundo turno testados.


Dá Esq. Os sonhadores com a construção da rodovia MT 199, Dr André Bringsken e Pedrinho Lacerda no Palácio Paiaguás em Cuiabá.

Mas é justamente aí que começa uma das perguntas mais intrigantes da eleição mato-grossense de 2026.

Como Wellington Fagundes consegue liderar a disputa enquanto a eleição apresenta um cenário de forte rejeição entre os principais nomes e, ao mesmo tempo, Otaviano Pivetta tenta transformar quase oito anos de governo e uma extensa carteira de obras em votos?

A resposta pode estar muito além dos números frios da pesquisa.


No início da década de 90 quando a velha balsa era o meio de travessia sobre o rio Guaporé já se falava em construir uma ligação asfáltica com a Bolívia. Quase 40 anos depois o sonho está virando realidade com intervenção direta do governador Otaviano Pivetta.

A força de Wellington e o desafio de Pivetta

Wellington possui uma vantagem política evidente: é um nome conhecido dos mato-grossenses há décadas e ocupa uma cadeira no Senado. Pivetta, por sua vez, precisa converter a imagem de gestor e vice-governador em uma candidatura majoritária competitiva.


Pivetta: O progresso não anda em estrada de chão, e sim no chão preto. Trecho de capa asfáltica concluída próximo da divisa entre Brasil e Bolívia.


Na série histórica da própria Percent Brasil, Wellington passou de 27% em junho para 28% em julho e chegou a 32% em agosto. Pivetta também cresceu: saiu de 17,2%, passou por 18,7% e alcançou 21%.

Ou seja: Pivetta está crescendo, mas Wellington cresce mais rapidamente.


Placa anuncia início do território boliviano entre os dois países.


E existe outro dado que merece atenção. Na resposta espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Wellington e Pivetta estão separados por apenas 1,3 ponto percentual.

Isso pode indicar que uma parte considerável da vantagem de Wellington no cenário estimulado está relacionada ao seu maior grau de reconhecimento eleitoral.


A futura Rota Bioceânica bate na porta de San Ignácio de Velasco com chão preto de 5 km concluídos em 80 dias pela empresa Oeste Construtora.

A contradição das grandes obras

Enquanto Wellington lidera as pesquisas, Pivetta tenta levar para a campanha o peso de uma administração marcada por grandes investimentos em infraestrutura.

No Oeste de Mato Grosso, por exemplo, a realidade é visível no chão.


Aqui começa a Bolívia na divisa entre San Ignácio e Vila Bela da Santíssima Trindade.

Em Vila Bela da Santíssima Trindade, a pavimentação da MT-199 avança em direção à fronteira boliviana e representa uma antiga reivindicação da população da região. Para os municípios fronteiriços, não se trata apenas de asfalto: é integração internacional, logística, turismo, produção e possibilidade de conexão com o mercado boliviano e, posteriormente, com a rota do Pacífico.

A pergunta política, entretanto, é outra:

quanto dessa obra está sendo convertido em intenção de voto para Pivetta?

Esse talvez seja um dos grandes desafios da campanha.

Uma estrada pode mudar a vida de uma região sem necessariamente mudar o voto de todo o Estado.

O morador de Vila Bela acompanha diariamente o avanço da MT-199. Já o eleitor de Cuiabá, Sinop ou Rondonópolis pode conhecer a obra apenas pelas notícias.

É a diferença entre sentir a obra e ouvir falar da obra.

Prefeitos, vereadores e a disputa pela interlocução

Outro componente que pode ganhar importância durante a campanha é a relação dos candidatos com prefeitos e vereadores.

Na política municipal, acesso e capacidade de diálogo contam muito. Lideranças locais frequentemente funcionam como ponte entre governos e população.

Em Vila Bela, por exemplo, o prefeito Dr. André Bringsken é citado como uma liderança que teria encontrado dificuldades de interlocução com Wellington Fagundes, enquanto Pivetta passou a ser associado a investimentos concretos no município e na região.

Esse tipo de relato, entretanto, precisa ser tratado como percepção política local, e não como prova de rejeição estadual.

Mas pode produzir uma pergunta importante:

se Wellington possui forte liderança nas pesquisas estaduais, por que sua relação com determinadas lideranças municipais seria alvo de críticas?

E, no sentido inverso:

se Pivetta possui uma administração com grandes obras, por que essa presença ainda não aparece com a mesma força nas pesquisas eleitorais?

A eleição ainda está aberta

Outro dado impede qualquer conclusão precipitada: existe uma parcela expressiva do eleitorado que ainda não definiu sua escolha.

A pesquisa Percent Brasil mostra Wellington com 32%, Pivetta com 21% e Natasha com 11%, enquanto uma parcela relevante dos entrevistados permanece sem uma escolha definida ou aponta branco/nulo.

Portanto, a eleição está longe de estar decidida.

O que existe hoje é uma fotografia mostrando Wellington na frente e Pivetta tentando reduzir a distância.

E talvez a grande batalha dos próximos meses seja justamente esta:

Wellington terá de transformar liderança em maioria. Pivetta terá de transformar gestão em voto.

No fim, Mato Grosso poderá responder uma pergunta que nenhuma pesquisa consegue antecipar completamente:

o eleitor votará naquele que promete a mudança, naquele que representa a continuidade ou naquele que acredita ter feito mais pelo Estado?

A MT-199, que começa a rasgar o chão da fronteira em direção à Bolívia, pode ser apenas uma rodovia.

Politicamente, porém, ela poderá se transformar em um dos símbolos da eleição de 2026.

Porque, no final das contas, asfalto também precisa chegar à memória do eleitor para virar voto.