Laucídio Coelho: conheça a história do pecuarista que teve 870 mil hectares e 250 mil cabeças de gado

Pecuarista pioneiro chegou a administrar cerca de 40 propriedades e usou tecnologia para expandir seus negócios no Centro-Oeste

Laucídio Coelho foi um dos pioneiros da pecuária brasileira e chegou a reunir 870 mil hectares e 250 mil cabeças de gado, patrimônio que o levou ao Guinness Book, o livro dos recordes. Sua trajetória está diretamente ligada ao desenvolvimento do então Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul.


Nascido em 1886, Laucídio construiu o patrimônio com a aquisição de terras e a criação de gado. Mesmo sem formação formal em negócios, tornou-se conhecido pela capacidade de administrar dezenas de propriedades e pela disposição para adotar novas tecnologias.


Segundo o bisneto Kenneth Corrêa, Laucídio chegou a administrar cerca de 40 propriedades. Para isso, utilizava avião e rádio para conectar as fazendas e acompanhar os negócios.

 

Segundo o bisneto Kenneth Corrêa, Laucídio chegou a administrar cerca de 40 propriedades. Para isso, utilizava avião e rádio para conectar as fazendas e acompanhar os negócios.

 

“Falei: devo ter coisa para aprender com esse cara, para trazer pro meu dia a dia, para o meu negócio”, contou Kenneth em entrevista ao Giro do Boi, que começou a pesquisar a história do bisavô por volta dos 40 anos.

 

Pesquisa virou livro

A investigação começou como uma busca pessoal pelas origens da família, mas ganhou outra dimensão quando Kenneth encontrou documentos, jornais antigos e relatos de pessoas que conviveram com Laucídio. “Eu vou ter que contar isso pro mundo. Não dá para essa história morrer com o tempo e ficar esquecida.”

O resultado foi o livro “Um legado forjado entre rios: a história de Laucídio Coelho”, que reúne histórias sobre os negócios, a pecuária, a família e os valores do produtor rural.

 

Tecnologia fazia parte dos negócios

A busca por inovação foi uma das marcas de Laucídio. Uma frase atribuída a ele resume essa característica: “Nasci no atraso e não gosto de atraso. Vivo procurando onde tem coisa mais moderna para eu aprender.”

Em 1908, ainda jovem, ele visitou uma feira internacional de inovação no Rio de Janeiro, onde teve contato com tecnologias como o Ford T, o bonde elétrico e equipamentos industriais.

Décadas depois, já na administração das fazendas, utilizava avião e rádio. Segundo Kenneth, chegou a coordenar cerca de 20 comitivas de gado por dia pelo rádio, com grupos de 300 a 400 animais.

O gado percorria longas distâncias entre as propriedades até chegar aos frigoríficos de São Paulo. Algumas viagens chegavam a quase 1.000 quilômetros.

 

Legado vai além das fazendas

Laucídio também atuou nos setores bancário, imobiliário, frigorífico e de comunicação. Foi fundador do Correio do Estado, em Campo Grande, e proprietário do jornal O Estado de Mato Grosso, em Cuiabá.

Para Kenneth, a história do bisavô também é marcada pela honestidade e pelo compromisso com a palavra. Um dos episódios relatados no livro envolve um financiamento do Banco do Brasil que Laucídio fez questão de pagar mesmo quando o banco ofereceu uma moratória.


A postura fortaleceu a relação com a instituição e, posteriormente, facilitou o acesso a crédito para novos investimentos. Kenneth nasceu oito anos depois da morte do bisavô, mas, em 2026, ano em que Laucídio completaria 140 anos, os dois tiveram um “reencontro” criado com inteligência artificial.


A história também permanece viva entre os descendentes. Segundo Kenneth, a família já chega à sexta geração desde Laucídio, mantendo propriedades e valores associados ao patriarca.