Janaína Riva: da herança política ao fenômeno que pode virar tsunami nas urnas

18 dos 23 vereadores de Várzea Grande declaram apoio à candidata ao Senado; força junto ao funcionalismo e trajetória na Assembleia ampliam o tamanho da aposta

Janaína Riva pode estar deixando de ser apenas uma herdeira de um dos sobrenomes mais conhecidos da política de Mato Grosso para se transformar em uma liderança de tamanho próprio.

E o movimento desta semana em Várzea Grande acendeu uma luz amarela — ou seria vermelha? — para os adversários.

Dos 23 vereadores da segunda maior cidade de Mato Grosso, 18 declararam apoio à candidatura de Janaína Riva ao Senado da República.

É muita gente.

E, politicamente, é um número que não pode ser tratado como simples fotografia de campanha.

A força de Janaína não nasceu ontem. Filha do ex-deputado José Riva, ela recebeu no berço uma herança política que poucos mato-grossenses poderiam carregar. Mas sobrenome, sozinho, não sustenta uma carreira durante anos.

Janaína construiu seu próprio caminho dentro da Assembleia Legislativa e, ao longo dessa trajetória, comprou algumas brigas importantes.

Entre elas, a defesa dos servidores públicos estaduais.

Durante o governo Mauro Mendes, Janaína esteve frequentemente do lado contrário ao Palácio Paiaguás em debates envolvendo reivindicações do funcionalismo, reajustes e direitos dos trabalhadores.

Para seus apoiadores, foi justamente essa postura de enfrentamento que ajudou a construir uma relação de confiança com uma parcela expressiva dos servidores.

E política, como se sabe, não vive apenas de discurso.

Vive de memória.

O servidor lembra quem esteve ao seu lado quando a negociação ficou difícil. Lembra quem levantou a voz. Lembra quem permaneceu firme quando seria mais conveniente recuar.

É nesse terreno que Janaína pode estar encontrando uma das suas maiores forças eleitorais.

A filha de Riva agora quer escrever sua própria história

Durante muito tempo, qualquer análise sobre Janaína inevitavelmente começava pelo pai.

Agora, talvez seja necessário inverter a pergunta:

até onde chegou Janaína Riva por causa do sobrenome — e até onde chegou por causa da própria trajetória?

A resposta poderá aparecer nas urnas.

O apoio de 18 vereadores de Várzea Grande, somado à sua atuação política e à capacidade de dialogar com diferentes grupos, mostra que a candidatura tem musculatura.

E existe ainda um detalhe importante: Senado é eleição majoritária.

Não basta ter uma estrutura partidária bonita no papel. É preciso transformar apoio político em voto.

Se Janaína conseguir fazer isso em várias regiões de Mato Grosso, poderá entrar definitivamente no grupo das candidaturas que ninguém mais poderá ignorar.

A zebra está correndo por fora?

Talvez seja cedo para chamar Janaína de favorita.

Mas já não parece prudente tratá-la como coadjuvante.

A política mato-grossense está acostumada a eleições que começam com favoritos definidos nos bastidores e terminam produzindo surpresas nas urnas.

Janaína pode ser uma dessas surpresas.

A filha de José Riva recebeu o sobrenome como herança. A liderança, porém, terá que ser confirmada pelo voto.

E se os apoios continuarem aparecendo nessa velocidade, aquilo que hoje parece apenas uma candidatura competitiva poderá se transformar em um verdadeiro tsunami eleitoral.

A pergunta agora não é mais se Janaína Riva está na briga pelo Senado.

A pergunta é: quem está preparado para enfrentar a força que ela está construindo?