
Mauro Mendes aparece novamente em destaque na corrida ao Senado. O Instituto Veritá divulgou levantamento que aponta o ex-governador na liderança, com 59,2% dos votos consolidados.
O número ganhou espaço e passou a ser utilizado politicamente para reforçar a ideia de que a disputa estaria encaminhada.
Mas existe uma pergunta que nenhuma pesquisa eleitoral consegue responder:
O que pensa o Mato Grosso que não aparece nas planilhas dos institutos?
O estado que produz milhões de toneladas de soja, milho, algodão e proteína animal e amplia sua presença nos mercados asiático e europeu também é o estado onde milhares de pessoas continuam dependendo do SUS para conseguir uma consulta, um exame, uma cirurgia ou simplesmente um medicamento.
Nos últimos anos, foram anunciados milhares de quilômetros de pavimentação e investimentos bilionários em infraestrutura. Mas uma pergunta permanece nas estradas: qual é a qualidade desse asfalto e quanto tempo ele resistirá ao peso da produção que Mato Grosso pretende transportar?
Na saúde, o governo anunciou a construção de seis hospitais durante a gestão Mauro Mendes. Dois já foram entregues, em Alta Floresta e Cuiabá, este último com gestão do Hospital Israelita Albert Einstein.
São investimentos importantes. Mas o cidadão que espera atendimento não vive de anúncio: vive de consulta marcada, exame realizado, cirurgia feita e remédio disponível.
E é justamente aí que aparece o outro Mato Grosso.
O Mato Grosso da ambulância que percorre centenas de quilômetros.
O Mato Grosso da família que procura medicamento na farmácia pública e muitas vezes encontra dificuldade até para conseguir o básico.
O Mato Grosso de quem trabalha, paga impostos e não recebe incentivo fiscal milionário — mas pode acabar enfrentando uma longa espera quando precisa do Estado.
Também existe uma discussão que precisa ser tratada com transparência: quanto o Estado concede em incentivos fiscais, para quem, durante quanto tempo e quais contrapartidas são efetivamente entregues à sociedade?
Não basta Mato Grosso crescer.
É preciso perguntar quem está crescendo junto com ele.
E talvez esteja justamente aí a pesquisa que nenhum instituto consegue registrar.
Ela não aparece em gráficos.
Está na fila do SUS.
Está dentro das farmácias públicas.
Está nas ambulâncias.
Está nas estradas.
Está na mesa do trabalhador que luta todos os dias para colocar arroz e feijão na panela.
E estará nas urnas.
A pesquisa Veritá apresenta um retrato da intenção de voto de um determinado grupo de eleitores, dentro de uma metodologia específica. A Justiça Eleitoral, porém, já determinou a suspensão de divulgação de um levantamento do instituto em Mato Grosso diante de questionamentos sobre sua metodologia e seus registros. Isso torna ainda mais importante que números eleitorais sejam apresentados com transparência e que o eleitor possa conhecer as informações antes de formar sua própria opinião.
No próximo domingo, não serão os institutos que apertarão a tecla da urna.
Serão os mato-grossenses.
E talvez exista uma diferença enorme entre aquilo que aparece nas pesquisas e aquilo que o eleitor carrega dentro de si.
Essa pesquisa só a urna poderá revelar.


