Mauro lidera nas pesquisas. Mas o Oeste e as ruas começam a fazer outra pergunta?

Janaína poderá surpreender nas urnas e revelar novo fenômeno político de Mato Grosso

A poucos dias da eleição, a disputa pelo Senado em Mato Grosso entra na fase decisiva. Os números estaduais colocam o ex-governador Mauro Mendes na liderança, enquanto Janaína Riva aparece na segunda posição.

Na pesquisa Quaest divulgada em 25 de setembro, Mauro marcou 27% das intenções de voto, contra 19% de Janaína.

Mas existe uma pergunta que os números estaduais não respondem: como está essa disputa no interior — especialmente na região Oeste de Mato Grosso?

É justamente aí que o debate ganha outros contornos.

No Oeste, o garimpo continua sendo uma atividade econômica cercada de controvérsias. Em agosto, a Polícia Federal deflagrou a Operação Solo Sagrado para combater a extração ilegal de ouro na Terra Indígena Sararé, na região de Pontes e Lacerda. A operação identificou estrutura de financiamento, logística e comercialização do minério e cumpriu mandados de busca e prisão.

Para quem vive na região, entretanto, a discussão sobre garimpo vai muito além das operações policiais. Envolve emprego, renda, fiscalização, meio ambiente e o destino de milhares de pessoas que historicamente dependem das atividades econômicas do Oeste.

Outro assunto que deixou marcas foi a legislação da pesca.

A Lei Estadual nº 12.434/2024, sancionada pelo então governador Mauro Mendes, estabeleceu restrições de cinco anos para transporte, armazenamento e comercialização de pescado e proibiu determinadas espécies, embora tenha mantido regras específicas para a pesca profissional artesanal.

A própria Sema reconhece que a pesca profissional artesanal continua permitida dentro das regras estabelecidas e que pescadores cadastrados e habilitados recebem auxílio financeiro.

Ainda assim, para muitas famílias que vivem da pesca, a mudança representou uma alteração profunda na relação com uma das principais fontes tradicionais de renda da região.

E existe ainda um episódio político recente que colocou Pontes e Lacerda novamente no centro do noticiário.

O ex-prefeito Alcino Barcelos, candidato a deputado estadual, foi alvo de uma operação do Naco em 25 de setembro. Segundo a imprensa local, foram apreendidos quase R$ 300 mil em dinheiro, além de arma, computador e celular. A investigação apura suspeitas relacionadas a contratos da Prefeitura de Pontes e Lacerda entre 2017 e 2024. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação.

É nesse ambiente que o eleitor do Oeste chega às urnas: olhando para estradas, saúde, habitação, pesca, garimpo, emprego e também para a representação política da região.

Enquanto isso, Janaína Riva continua percorrendo o Estado.

Na terça-feira, 29 de setembro, ela esteve em Rondonópolis, participando de uma caminhada na Vila Operária ao lado do deputado Thiago Silva e do candidato a deputado federal Marcos Ritela. A agenda foi descrita como atividade de reta final, com contato direto com moradores e apoiadores.

Em Rondonópolis, Janaína falou justamente de duas bandeiras que também dialogam com as reivindicações do interior: saúde e infraestrutura.

A movimentação da campanha chama atenção porque ocorre em paralelo aos números das pesquisas


Janaína Riva recebe apoio por onde passa e o resultado sairá das urnas, domingo.

De um lado, os levantamentos estaduais continuam mostrando Mauro Mendes na liderança. De outro, Janaína mantém uma agenda intensa pelo interior, colecionando manifestações públicas de apoio e ampliando sua presença em diferentes regiões.

Mas mobilização de rua não é pesquisa eleitoral — e pesquisa estadual não necessariamente revela o comportamento de cada região.

É aí que está a grande incógnita desta eleição.

O Mauro Mendes que aparece liderando as pesquisas estaduais também lidera no Oeste?


Mauro Mendes seria realmente o líder das pesquisas de voto para o Senado na região oeste de Mato Grosso? A resposta sairá das urnas, domingo, a noite.

E a movimentação que acompanha Janaína por onde passa conseguirá se transformar em votos quando as urnas forem abertas?

O eleitor do Oeste terá a resposta.

E será ele, no domingo, quem dirá se os números estaduais conseguiram enxergar aquilo que aconteceu nas ruas.