
Às vésperas do Outubro Rosa, o caso reforça um alerta importante. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028, o equivalente a 71,57 novos casos para cada 100 mil mulheres. Excluídos os tumores de pele não melanoma, é o câncer mais incidente entre as brasileiras e responde por 30% dos novos casos de câncer no público feminino.
Para o médico patologista Carlos Aburad, a idade não deve ser motivo para minimizar uma alteração persistente na mama.
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“Existe uma associação muito forte entre câncer de mama e mulheres mais velhas, porque, de fato, o risco aumenta com a idade. Mas isso não significa que uma mulher jovem esteja livre da doença. Um nódulo ou qualquer alteração persistente precisa ser avaliado, independentemente da idade”, alerta.
Dados anteriores já apontavam para a necessidade dessa atenção. Levantamento realizado no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), com 12.569 pacientes atendidas entre 2009 e 2020, identificou 1.441 mulheres com menos de 40 anos.
Em 2009, elas representavam 7,9% dos diagnósticos realizados na instituição; em 2020, eram 21,8%.
Isso não significa que o câncer de mama tenha se tornado uma doença predominantemente de mulheres jovens. Segundo o INCA, a idade continua sendo um dos principais fatores de risco e cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos.
Entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença estão excesso de peso, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas, fatores hormonais e reprodutivos e, em uma parcela dos casos, predisposição genética e histórico familiar.
Nódulo não deve ser ignorado
Em mulheres jovens, a maioria dos nódulos mamários é benigna. Isso, porém, não significa que uma alteração possa ser ignorada sem avaliação. “A maioria dos nódulos nessa idade não será câncer, mas é a investigação adequada que permite fazer essa diferenciação com segurança”, explica Carlos Aburad. Segundo ele, o diagnóstico precoce é fundamental para um tratamento seguro e eficaz.
Além de nódulos, alterações persistentes no formato ou aspecto da mama, retrações ou mudanças na pele, alterações no mamilo e secreção espontânea, especialmente sanguinolenta, devem levar à procura de avaliação médica.
“Neste Outubro Rosa, o alerta é simples: idade reduz o risco, mas não exclui a possibilidade de câncer de mama. Alterações persistentes precisam ser investigadas. O diagnóstico precoce é fundamental”, alerta o médico patologista.


