Liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno faz fundos ligados à Bolsa brasileira dispararem quase 10% no exterior e mercado projeta mudança econômica

EWZ chegou a US$ 42 nos Estados Unidos e fundo ligado ao Ibovespa abriu a 322 ienes em Tóquio, enquanto investidores passaram a observar ajuste fiscal, dólar e juros.

A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial provocou uma forte reação em ativos brasileiros negociados no exterior. Antes da abertura do mercado no Brasil nesta segunda-feira (5), fundos ligados à Bolsa já registravam altas próximas de 10% nos Estados Unidos e no Japão.

 

O movimento mais expressivo apareceu no EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações de empresas brasileiras. Às 23h50 de domingo (4), no horário de Brasília, o ativo era negociado a US$ 42 no after-hours, com valorização de 9,98%. Horas antes, havia encerrado o pregão regular a US$ 38,19, com alta de 2,83%.

A reação também chegou rapidamente à Ásia. Segundo o g1, um fundo negociado em Tóquio e ligado ao Ibovespa abriu o dia com alta de 9,40%, cotado a 322 ienes. Os movimentos passaram a antecipar parte das expectativas dos investidores para a abertura do mercado brasileiro.

EWZ avançou quase 10% após resultado eleitoral e ampliou alta registrada durante pregão nos Estados Unidos

O desempenho do EWZ chamou atenção porque a valorização ganhou força depois do encerramento regular das negociações. O fundo havia fechado a US$ 38,19, acumulando alta de 2,83%, mas chegou a US$ 42 durante o after-hours de domingo (4).

A diferença levou a valorização para 9,98% às 23h50, no horário de Brasília. O movimento ocorreu enquanto investidores avaliavam os efeitos do resultado do primeiro turno sobre a disputa presidencial e suas possíveis consequências para a política econômica brasileira.

O after-hours permite negociações depois do horário regular do mercado norte-americano. Nesse período, portanto, o EWZ já refletia expectativas que ainda não poderiam aparecer diretamente no Ibovespa, pois o mercado brasileiro permanecia fechado.

Fundo negociado em Tóquio abriu em forte alta antes do início das operações no mercado brasileiro

A reação não ficou restrita aos Estados Unidos. Em Tóquio, um fundo que acompanha o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, começou as negociações com valorização semelhante à observada no EWZ.

Segundo informações publicadas pelo g1, o ativo abriu o dia com avanço de 9,40%, alcançando 322 ienes. O desempenho reforçou a percepção de que o resultado eleitoral já influenciava ativos associados ao Brasil negociados fora do país.

Investidores passaram a avaliar que o resultado do primeiro turno aumentou as chances da oposição na disputa presidencial. A interpretação começou a influenciar as projeções para ações, câmbio e juros antes mesmo da abertura da Bolsa brasileira nesta segunda-feira (5).

Expectativa de mudança na política econômica colocou ajuste fiscal no centro das atenções do mercado

 

A leitura dos investidores estava relacionada principalmente à possibilidade de uma mudança na condução econômica. Entre os pontos observados estava o ajuste fiscal, entendido como o esforço para equilibrar as contas públicas.

Nesse cenário, analistas projetavam valorização das ações, queda do dólar e recuo dos juros futuros. A reação esperada não seria uniforme, já que determinados ativos poderiam responder com intensidade maior às expectativas formadas após a eleição.

Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos, avaliou que o movimento mais visível provavelmente apareceria primeiro na Bolsa. Uma alta relevante do Ibovespa poderia ser acompanhada por maior sensibilidade das estatais, especialmente Petrobras e Banco do Brasil.

Para Mendes, porém, a mudança mais importante estaria na curva de juros, indicador diretamente acompanhado pelos investidores diante das expectativas para a política econômica.

Transferência de votos no segundo turno passou a influenciar projeções para Bolsa, real e juros

O mercado também começou a avaliar os possíveis cenários de transferência de votos para o segundo turno. Felipe Balassiano, chefe de multimercados do ASA, considera que essas combinações tornam mais difícil uma vitória de Lula.

 

A avaliação apresentada pelo especialista aponta para forte alta da Bolsa, valorização do real e fechamento dos juros nominais e reais caso o mercado continue antecipando uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.

Balassiano relaciona essa reação à expectativa de maior disciplina fiscal no próximo governo. Dessa forma, a interpretação do cenário político passou a influenciar diretamente as projeções dos investidores para diferentes classes de ativos.

Fundos no exterior anteciparam reação que investidores esperavam encontrar na abertura do mercado brasileiro

As altas observadas entre domingo (4) e segunda-feira (5) transformaram os mercados externos em uma primeira referência sobre a reação financeira ao resultado eleitoral. O EWZ chegou a avançar 9,98% nos Estados Unidos, enquanto o fundo ligado ao Ibovespa abriu com alta de 9,40% em Tóquio.

Os dois movimentos ocorreram antes da abertura do mercado brasileiro e refletiram expectativas, não resultados já confirmados para ações, dólar ou juros no Brasil. Investidores passaram a precificar uma possibilidade maior de mudança na política econômica diante da configuração do segundo turno.

O desempenho desses fundos mostrou como o resultado das urnas rapidamente entrou nos cálculos do mercado. Bolsa, real, juros, ajuste fiscal e comportamento das estatais passaram a concentrar as atenções enquanto investidores aguardavam a reação dos ativos negociados diretamente no Brasil.