
A eleição terminou no domingo, mas a política brasileira já entrou em uma nova fase. E, pelo que começa a se desenhar no Centro-Oeste, antigos adversários parecem dispostos a deixar as diferenças eleitorais de lado para remar na mesma direção no segundo turno.
Em Mato Grosso, o governador reeleito Otaviano Pivetta recebeu ontem o senador eleito Mauro Mendes e o ex-adversário Wellington Fagundes. A conversa, desta vez, não foi sobre a disputa pelo Palácio Paiaguás ou pelo Senado. O assunto passou a ser a eleição presidencial e o apoio a Flávio Bolsonaro.
A fotografia é politicamente simbólica.
Pivetta e Wellington estiveram em lados opostos durante a campanha. Mauro Mendes deixou o governo para disputar o Senado. Agora, com a urna estadual fechada, os três aparecem no mesmo cenário, diante de uma disputa nacional que pode redesenhar novamente o mapa político brasileiro.
E Mato Grosso não está sozinho.

Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado anunciou apoio a Flávio Bolsonaro. O movimento aproxima duas importantes lideranças do Centro-Oeste de uma candidatura que chega ao segundo turno carregando uma votação expressiva em Estados onde o bolsonarismo continua demonstrando enorme força.
A pergunta que começa a circular nos bastidores é inevitável: estaria o Centro-Oeste formando o primeiro grande bloco político em torno de Flávio Bolsonaro?
Mato Grosso e Goiás possuem características eleitorais semelhantes em vários aspectos: forte presença do agronegócio, interiorização da economia, influência política dos produtores rurais e um eleitorado que, historicamente, tem demonstrado resistência ao PT.
Mas há algo ainda maior em jogo.
A união de Pivetta, Mauro e Wellington mostra que a eleição estadual acabou. As disputas locais ficaram para trás e começa agora uma batalha nacional. O mesmo pode ser observado em Goiás, onde Caiado também decidiu atravessar a ponte das diferenças políticas para apoiar o candidato da direita.
É como se o Centro-Oeste estivesse dizendo que, depois da grande rearrumação provocada pelas urnas de domingo, há uma nova disputa pela frente — e ela não será pequena.
Flávio Bolsonaro terá agora o desafio de transformar esses apoios políticos em votos. Não basta reunir governadores, senadores eleitos e lideranças regionais. Será necessário levar essa estrutura para as ruas e convencer um eleitorado muito maior.
Ainda é cedo para dizer que a eleição está decidida.
Mas uma coisa já parece evidente: o segundo turno começou com uma movimentação política muito diferente daquela que existia antes da abertura das urnas.
E se Mato Grosso e Goiás conseguirem puxar outros Estados do Centro-Oeste para o mesmo barco, a região poderá deixar de ser apenas um importante reduto eleitoral da direita para se transformar em uma das principais plataformas políticas da candidatura de Flávio Bolsonaro.
A porteira está aberta.


