Será que Lula vai entrar pela porteira que o Centro-Oeste esqueceu de fechar?

Lula poderá entrar pela porteira aberta do Agro e arrebatar os humildes trabalhadores.

Entre o poder do agronegócio e as demandas sociais das cidades, o segundo turno coloca uma nova pergunta no mapa político de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás

O Centro-Oeste brasileiro saiu das urnas de 2026 ainda mais forte politicamente

Em Mato Grosso, Otaviano Pivetta foi reeleito governador. Em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel também conquistou a reeleição no primeiro turno, enquanto o ex-governador Reinaldo Azambuja voltou ao cenário nacional pela porta do Senado, eleito pelo PL. Azambuja, que já foi prefeito de Maracaju, deputado estadual, deputado federal e governador por dois mandatos, agora terá oito anos para representar Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional.


Pivetta e Mauro garantiram mais 4 anos de Governo

É um desenho político que ganha ainda mais significado quando observado junto com Goiás.

Os três estados formam um dos principais motores do agronegócio brasileiro. São territórios de grandes propriedades, produção de grãos, pecuária, agroindústrias, exportações e investimentos privados.

Mas existe um outro lado desse mesmo mapa

Por trás dos números bilionários do campo estão cidades que cresceram rapidamente e populações que continuam demandando saúde, habitação, transporte, emprego e serviços públicos.

É aí que aparece a pergunta que pode interessar à campanha de segundo turno:

Será que Lula vai entrar pela porteira que o Centro-Oeste esqueceu de fechar?

Não se trata de afirmar que trabalhadores urbanos, famílias de baixa renda ou moradores das periferias votarão automaticamente no candidato do PT. O eleitorado regional é muito mais complexo do que a divisão entre ricos e pobres.

Mas a diferença entre riqueza produzida e riqueza percebida no cotidiano pode se transformar em tema eleitoral.

Enquanto os grandes grupos econômicos discutem produção, logística, crédito, infraestrutura e competitividade, milhões de pessoas podem estar preocupadas com uma questão mais simples: o que essa riqueza muda na vida delas?

A história recente de Cuiabá oferece um exemplo interessante

A Copa do Mundo de 2014 colocou a capital mato-grossense no centro de um grande programa de investimentos. Em 2011, a Prefeitura de Cuiabá estimava em R$ 1,1 bilhão os investimentos previstos em infraestrutura e mobilidade urbana para Cuiabá e Várzea Grande, além dos recursos destinados à Arena Pantanal. Os recursos envolviam BNDES, Caixa Econômica Federal e DNIT.


Lula e Flávio irão promover uma histórica disputa política que poderá mudar o futuro do Brasil.

O projeto não foi exclusivamente de Lula. Houve participação decisiva dos governos federal, estadual e municipal, além de diferentes gestores ao longo da execução. Mas a escolha das cidades-sede e o programa federal de preparação para o Mundial ocorreram durante os governos Lula e Dilma.

E a própria Prefeitura registrou, em 2013, que as obras da Copa, somadas ao PAC 2 e a investimentos municipais, estavam produzindo uma transformação viária importante em Cuiabá.

A Copa, portanto, deixou uma marca que ainda pode ser vista pelas ruas da capital.

Talvez seja justamente essa lembrança que torne a discussão atual interessante.

O Centro-Oeste pode continuar sendo apresentado apenas como o coração do agronegócio brasileiro.

Ou pode ser observado também como uma região de milhões de brasileiros que querem participar dos benefícios desse crescimento.


A Esq. governador Riedel, e os senadores eleitos Reinaldo Azambuja e capitão contar em Mato Grosso do Sul.

Com Riedel reeleito, Azambuja chegando ao Senado, Pivetta renovando o mandato em Mato Grosso e Goiás também definindo sua nova composição política, o Centro-Oeste chega ao segundo turno com enorme peso econômico e político.

Mas a porteira não é feita apenas de soja, boi, milho e algodão.

Do outro lado dela existe gente.

E talvez seja justamente essa gente que Lula esteja tentando encontrar antes que a porteira se feche novamente.